Tenho medo daquele homem II
Outubro 2, 2007 at 6:26 am | In abuso, alertar crianças, comportamentos, crianças, crianças em perigo, desnorte, diferença, diálogo, família, pais e educadores, pedofilia, perigos, protecção, sexualidade | Leave a CommentAnterior: Sofia vem sozinha da escola (I)
Capítulo 2
Parece que anda por aí um homem estranho
Há já alguns dias que Sofia e as amigas ouvem falar de um incidente estranho. Os alunos mais velhos falam de um homem que anda sozinho pela rua e que mostra o “pirilau” a todos os transeuntes. “É horrível”, comentam. Ninguém da escola o viu, mas sabem que usa um grande chapéu e que veste um impermeável cinzento, como nos filmes policiais.
“E se fosse tudo uma invenção?” pergunta-se Sofia, que sabe que, às vezes, as pessoas contam coisas que não são verdadeiras, só para se sentirem importantes. No ano anterior, uma menina tinha contado que se cruzara com um ursinho castanho, nas escadas do prédio onde morava, e que o tinha adoptado. Mas não deixava que ninguém o visse, sob pretexto de que o animal era muito selvagem. Com efeito, nunca ninguém o viu e, quando agora lhe falam dele, ela diz que o mandou de volta para a selva…
Sofia e as amigas acreditam que o ursinho possa ter existido, mas acham menos provável que o “homem” exista. Ninguém anda assim vestido na rua, e muito menos um adulto. Em casa, os pais de Sofia têm cuidado para não andarem nus diante das filhas. Quando tomam um duche, fecham sempre a porta da casa de banho. E, quando se vestem, fazem-no sempre no quarto.
Quando era pequenina, Sofia tomava banho com eles, sem problemas. Só que agora é diferente: ela própria não gosta que a vejam nua: tem pudor. Ter pudor é querer guardar as coisas para si, porque sentimos que os outros podem sentir-se incomodados. Sofia sabe que pudor é parecido com delicadeza, mas que está relacionado com assuntos mais sérios. Por isso, compreende que não se mostra o “pirilau” às pessoas.
Depois de terem falado entre elas sobre o assunto, Sofia e as amigas decidiram que se tratava de uma invenção. Esta resolução tranquilizou-as. A verdade é que sentiam medo. Como o Natal estava à porta, não faltavam tópicos de conversa: ideias sobre presentes, a decoração da casa, esperar pelo Pai Natal…
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