A relação sexual sem amor
Maio 12, 2008 at 8:57 am | In amor, comportamentos, sexualidade, sociedade | 1 CommentEnrique Rojas
O Homem light
Coimbra, Gráfica de Coimbra, 1994
(excerto adaptado)
SEXUALIDADE LIGHT
A relação sexual sem amor
Qualquer amor autêntico aspira ao estado absoluto. Um amor desse tipo enche o coração do homem de alegria e paz, e sacia-o interiormente, fá-lo sentir-se pleno. O grande objectivo é o bem, que pode ser de três tipos:
1. Bem útil. É considerado desde um ponto de vista prático. Por exemplo, é mais útil ir de Madrid a Buenos Aires de avião do que de barco, porque supõe ganho de tempo e dinheiro.
2. Bem agradável. Aquele que nos brinda com algum tipo de prazer, que percebemos por meio da satisfação que produz em nós.
3. Bem moral. Aquele que tem a bondade em si mesmo, já que aponta para a melhor evolução do ser humano, ainda que seja necessário esforço e luta para o conseguir. Por exemplo, Tomás Moro fez uma coisa boa quando se opôs a Henrique VIII, embora lhe custasse a vida; permaneceu na história o seu exemplo de bem moral e coerência interior.
Pois bem, na relação sexual sem amor autêntico o outro é um objecto de prazer. Não se procura o bem do outro, mas o prazer com ele. Sob nenhum aspecto se pode denominar isto como amor verdadeiro porque utilizamos e instrumentalizamos uma pessoa «querida» para satisfazer o nosso prazer. Neste tipo de relação, a pessoa que utiliza o outro é ególatra e só persegue a sua própria satisfação; nunca há um encontro verdadeiro entre um eu e um tu, mas tão somente uma união sem vínculos.
Há que construir uma nova pedagogia do amor, partindo da própria pessoa e não do prazer sexual anteposto ao amor. Foi precisamente esta adulteração dos termos que nos conduziu a um consumo de sexo, o qual se afasta do sentido profundo do encontro amoroso. O partenaire nas relações sexuais não tem importância como pessoa, mas só como físico. Aquele que unicamente olha ao sexo não necessita de outra pessoa enquanto pessoa, só deseja tirar proveito dela. Esta relação converte-se em algo pobre, hedonista, egoísta… O comércio sexual indiscriminado afasta o homem da mulher, porque nele se produz um contacto superficial, trivial, débil e insignificante. Não são válidos os argumentos estatísticos de «Isto quase toda a gente o faz», «A vida hoje é assim» ou «Estes são os tempos que correm», para que duas pessoas se entreguem intimamente sem amor, porque tudo se desvirtua. Daí que aquilo que se consegue sem esforço e sem compromisso não seja apreciado, perca o seu valor e, a longo prazo, até o seu atractivo.
A sexualidade sem amor autêntico conduz a um vazio gradual que desemboca em fastio, indiferença e cepticismo, quer dizer, uma atitude descomprometida em excesso. Às vezes podemos até, graças a um espírito crítico, descobrir na sua base notas autodestrutivas.
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sera que homem consegue viver ~um amor sem sexo
Comentário por MIGUEL — Outubro 11, 2008 #