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	<title>Uma janela sobre o amor</title>
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		<title>Uma janela sobre o amor</title>
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		<title>Nunca acompanhes um desconhecido!</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Oct 2011 18:30:37 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[alertar crianças]]></category>
		<category><![CDATA[diálogo]]></category>
		<category><![CDATA[perigos]]></category>
		<category><![CDATA[protecção]]></category>

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		<description><![CDATA[Nunca acompanhes um desconhecido! Lisa tem seis anos e já vai à escola. O Pedro é o melhor amigo de Lisa e os dois costumam brincar muitas vezes juntos. Lisa toma todos os dias o pequeno-almoço com os pais. Um dia, o pai leu no jornal que uma criança tinha sido raptada. Diz-lhe então: — [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=janelasobreoamor.wordpress.com&amp;blog=1407429&amp;post=144&amp;subd=janelasobreoamor&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><span style="color:#003366;"><strong><img class="aligncenter size-medium wp-image-145" title="nunca" src="http://janelasobreoamor.files.wordpress.com/2011/10/nunca.jpg?w=241&#038;h=247" alt="" width="241" height="247" /></strong></span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#003366;"><strong>Nunca acompanhes um desconhecido!</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">Lisa tem seis anos e já vai à escola. O Pedro é o melhor amigo de Lisa e os dois costumam brincar muitas vezes juntos.</span><br />
<span style="color:#003366;">Lisa toma todos os dias o pequeno-almoço com os pais. Um dia, o pai leu no jornal que uma criança tinha sido raptada. Diz-lhe então:</span><br />
<span style="color:#003366;">— Nunca acompanhes alguém que não conheças! Não abras a porta quando estiveres sozinha! Nunca entres para o carro de um desconhecido! Nem todos os adultos são bons para as crianças. Também há pessoas que tentam atrair meninos e meninas com doces e prendas. Depois agarram-nos, possivelmente tiram-lhes a roupa e magoam-nos muito.</span><br />
<span style="color:#003366;">Lisa presta muita atenção.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">Um dia, ao regressar da escola, pára um carro ao lado dela. O condutor, muito simpático, diz-lhe:</span><br />
<span style="color:#003366;">— Olha, tenho uma coisa para ti. Queres vir comigo?</span><br />
<span style="color:#003366;">Mas Lisa não entra no carro.</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#003366;"><strong>Nunca acompanho nenhum desconhecido.</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">Uma vez, a mãe de Lisa foi às compras. Lisa prefere ficar a brincar com o comboio e com o ursinho, por isso fica sozinha em casa. Pouco depois da mãe sair, tocam de repente à porta. Lisa pensa:</span><br />
<span style="color:#003366;">A mamã tem chave.</span><br />
<span style="color:#003366;">E não abre a porta.</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#003366;"><strong>Não abro a porta quando a mãe não está em casa.</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">Uma vez, Pedro e Lisa estavam a construiu um grande castelo na caixa de areia. Um homem vem sentar-se à beira e fica a olhar para eles durante muito tempo. As crianças já o tinham visto. Ele costuma ajudá-los a fazer coisas na areia e fala-lhes dos seus coelhos fofinhos.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Se vierem comigo, dou-vos um!</span><br />
<span style="color:#003366;">Pedro prefere o gato que tem em casa mas há muito que Lisa queria ter um coelhinho…</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#003366;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-148" title="nunca" src="http://janelasobreoamor.files.wordpress.com/2011/10/nunca1.jpg?w=300&#038;h=214" alt="" width="300" height="214" /></span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#003366;"><strong>E Lisa vai com ele.</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">O homem agarra Lisa com força pela mão. Ela tem de correr porque o homem caminha a passos largos. Já não parece ser nada simpático. Passado pouco tempo, chegam a casa dele.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Onde é que tem os coelhinhos? — pergunta Lisa cheia de medo.</span><br />
<span style="color:#003366;">A porta da rua fecha-se atrás deles.</span><br />
<span style="color:#003366;">Não há coelhinhos nenhuns, ele mentiu.</span><br />
<span style="color:#003366;">Lisa está com um medo terrível e chora e grita pela mãe.</span><br />
<span style="color:#003366;">Mas ninguém a ouve.</span><br />
<span style="color:#003366;">O homem grande aproxima-se cada vez mais de Lisa e agarra-a com força.</span><br />
<span style="color:#003366;">Entretanto, Pedro continua na caixa de areia mas já não lhe apetece brincar. Corre a casa dos pais de Lisa e conta-lhes que ela foi com um homem. O pai chama imediatamente a polícia.</span><br />
<span style="color:#003366;">Ao fim de poucos minutos, ouvem o carro da polícia chegar.</span><br />
<span style="color:#003366;">Pedro consegue dizer exactamente aos agentes da polícia como é que o homem é, e que tem uma bicicleta enferrujada com uma buzina. E lembra-se da direcção em que o homem seguiu com Lisa.</span><br />
<span style="color:#003366;">Os polícias partem imediatamente com os pais e com Pedro. Já está a anoitecer. E juntos palmilham as ruas escuras. Os pais estão desesperados.</span><br />
<span style="color:#003366;">De repente, Pedro descobre a bicicleta velha com a buzina encostada contra a parede de uma casa. Os polícias entram na casa. Felizmente não demoram a encontrar Lisa, que está completamente transtornada.</span><br />
<span style="color:#003366;">Só quando a mãe pega nela ao colo é que se acalma. O homem é levado para o posto da polícia.</span><br />
<span style="color:#003366;">Pedro fica muito orgulhoso quando os pais de Lisa o elogiam e lhe agradecem por ter estado atento.</span><br />
<span style="color:#003366;">Depois, apressam-se a sair sem demora daquela casa sombria e levam Pedro a casa.</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#003366;"><strong>Nunca mais vou com alguém que não conheço!</strong></span></p>
<p style="text-align:right;"><span style="color:#003366;">Ursula Kirchberg</span><br />
<em><span style="color:#003366;">Geh nie mit einem Fremden mit</span></em><br />
<span style="color:#003366;">München, Ellermann, 1985</span><br />
<span style="color:#003366;">(Tradução e adaptação)</span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/janelasobreoamor.wordpress.com/144/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/janelasobreoamor.wordpress.com/144/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/janelasobreoamor.wordpress.com/144/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/janelasobreoamor.wordpress.com/144/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/janelasobreoamor.wordpress.com/144/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/janelasobreoamor.wordpress.com/144/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/janelasobreoamor.wordpress.com/144/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/janelasobreoamor.wordpress.com/144/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/janelasobreoamor.wordpress.com/144/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/janelasobreoamor.wordpress.com/144/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/janelasobreoamor.wordpress.com/144/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/janelasobreoamor.wordpress.com/144/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/janelasobreoamor.wordpress.com/144/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/janelasobreoamor.wordpress.com/144/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=janelasobreoamor.wordpress.com&amp;blog=1407429&amp;post=144&amp;subd=janelasobreoamor&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O falso tio</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Oct 2011 21:09:55 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[alertar crianças]]></category>
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		<description><![CDATA[  O FALSO TIO   A Professora Carolina está a escrever números no quadro. — Prestem muita atenção! — pede. — Estes exercícios são difíceis. Leo irrita-se mas não é por causa dos exercícios. Acha-os super-fáceis mas, mesmo assim, não consegue estar atento, e a culpa é de Paulina, que está a mascar uma pastilha-elástica. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=janelasobreoamor.wordpress.com&amp;blog=1407429&amp;post=78&amp;subd=janelasobreoamor&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"> </p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#003366;"><strong><span style="color:#003366;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-137" title="img873" src="http://janelasobreoamor.files.wordpress.com/2011/10/img873.jpg?w=246&#038;h=161" alt="" width="246" height="161" /></span></strong></span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#003366;"><strong>O FALSO TIO</strong></span></p>
<p style="text-align:left;"><span style="color:#003366;"><strong></strong> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">A Professora Carolina está a escrever números no quadro.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Prestem muita atenção! — pede. — Estes exercícios são difíceis.</span><br />
<span style="color:#003366;">Leo irrita-se mas não é por causa dos exercícios. Acha-os super-fáceis mas, mesmo assim, não consegue estar atento, e a culpa é de Paulina, que está a mascar uma pastilha-elástica. A meio da aula! E faz tanto barulho, que mais parece um hipopótamo. A Professora Carolina nem sequer ralha. Faz contas e mais contas, e não repara em nada.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Não podes mascar pastilha-elástica nas aulas — sibila Leo.</span><br />
<span style="color:#003366;">Paulina sorri, rebusca no bolso das calças, tira uma caixa e estende-lha.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Queres uma? — pergunta.</span><br />
<span style="color:#003366;">Ainda por cima!</span><br />
<span style="color:#003366;">— É proibido mascar nas aulas — insiste Leo com veemência.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Leo! Nada de conversas! — adverte a Professora Carolina.</span><br />
<span style="color:#003366;">Leo assusta-se. Não gosta quando a professora fala com ele daquela maneira.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Mas a Paulina…</span><br />
<span style="color:#003366;">Morde depressa os lábios. Não se deve fazer queixa das pessoas, costuma dizer o pai.</span><br />
<span style="color:#003366;">Ufa, não é nada fácil fazer sempre o que é correcto!</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#003366;"><strong>*</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">Felizmente, toca para o intervalo.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Vamos jogar? — pergunta Paulina.</span><br />
<span style="color:#003366;">Nem pensar!</span><br />
<span style="color:#003366;">De certeza que a mãe não gosta que ele brinque com uma menina destas. Já chega ter de estar sentado ao lado dela.</span><br />
<span style="color:#003366;">Às vezes, Paulina chega atrasada, está sempre a esquecer-se das coisas e depois pega nas de Leo. Assim, sem pedir. Ocupa a carteira toda, dá-lhe cotoveladas e empurra-o. Além disso, tem uma voz tão estridente! Se alguma coisa não está bem, começa aos guinchos como uma sirene. Leo até fica com dores de ouvidos.</span><br />
<span style="color:#003366;">Uma vez por outra, conta em casa as confusões que Paulina arranja. A mãe abana a cabeça e pergunta:</span><br />
<span style="color:#003366;">— Porque é que foste sentar-te ao lado dela?</span><br />
<span style="color:#003366;">Mas não foi Leo. Paulina é que simplesmente se sentou ao lado dele e disse à Professora Carolina:</span><br />
<span style="color:#003366;">— O Leo é meu amigo.</span><br />
<span style="color:#003366;">É mentira.</span><br />
<span style="color:#003366;">Leo não é amigo de ninguém, e muito menos daquela Paulina.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Então? — insiste Paulina. — Jogamos ou não jogamos?</span><br />
<span style="color:#003366;">Leonardo abana a cabeça. Paulina encolhe os ombros e afasta-se.</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#003366;">*</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">As aulas finalmente acabaram. Leo apressa-se a vestir o casaco e sai a correr.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Espera por mim! — grita Paulina.</span><br />
<span style="color:#003366;">Nem pensar!</span><br />
<span style="color:#003366;">Paulina mora na mesma rua de Leo. Por vezes ia com ela para casa, mas a mãe ficava muito zangada porque ele chegava sempre atrasado. E a culpa era de Paulina que é uma atrasadinha. Equilibra-se em todos os muros de jardim e dá pontapés a todas as latas velhas. Carrega no botão de todos os semáforos, embora não queira atravessar, só para obrigar os carros a parar.</span><br />
<span style="color:#003366;">Às vezes, pára no quiosque dos jornais. O vendedor tem um cachorrinho com o qual ela gosta de brincar. Quando vai embora, leva sempre qualquer coisa: um rebuçado ou um chupa-chupa. E não se deve pedinchar. A mãe de Leo não gosta nada disso.</span><br />
<span style="color:#003366;">Leo olha novamente à sua volta. Paulina está de joelhos no passeio. Encontrou uma pedra e começou a desenhar. Ela gosta de fazer desenhos no chão e muitas vezes escreve coisas estúpidas: O Marcu é palérma.</span><br />
<span style="color:#003366;">Palerma é ela, que não sabe escrever direito! Mas o que é que ele pode fazer? Hoje, pelo menos, Leo livrou-se dela. Ainda bem!</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#003366;"> <span style="color:#003366;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-138" title="img876" src="http://janelasobreoamor.files.wordpress.com/2011/10/img876.jpg?w=217&#038;h=300" alt="" width="217" height="300" /></span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;"><strong>O desconhecido no carro</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">Um carro pára ao lado de Leo. O condutor baixa o vidro e faz-lhe sinal.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Eh, espera aí!</span><br />
<span style="color:#003366;">Leo pára, hesitante. Está com uma sensação esquisita na barriga.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Como é que te chamas? — pergunta o homem.</span><br />
<span style="color:#003366;">Leo preferia não responder, mas não pode ser. O homem é adulto, e a avó está sempre a dizer que não se pode ser indelicado com os adultos. De certeza que o desconhecido só quer perguntar o caminho.</span><br />
<span style="color:#003366;">Por segurança, Leo dá um passo atrás, antes de murmurar:</span><br />
<span style="color:#003366;">— Chamo-me Leo.</span><br />
<span style="color:#003366;">O homem sai do carro. Leo sente os joelhos moles. Mas porquê? O homem ri amavelmente. Leo é que é um medricas, como o pai costuma dizer.</span><br />
<span style="color:#003366;">Leo não quer ser nenhum medricas.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Leo? — volta a perguntar o homem.</span><br />
<span style="color:#003366;">Leo faz um sinal afirmativo com a cabeça.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Óptimo — o homem parece ficar contente.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Andava mesmo à tua procura!</span><br />
<span style="color:#003366;">— À minha procura? — admira-se Leo.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Sim. A tua mãe mandou-me vir buscar-te à escola e levar-te a casa sem demora.</span><br />
<span style="color:#003366;">O homem faz com a mão um sinal convidativo.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Vá, entra, por favor.</span><br />
<span style="color:#003366;">Entrar? Nem pensar! Leo não pode ir com pessoas que não conhece. A mãe proibiu-o.</span><br />
<span style="color:#003366;">Pelo sim pelo não, dá outro passo atrás.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Eu não o conheço — murmura.</span><br />
<span style="color:#003366;">“Esperemos que não fique ofendido”, pensa Leo. Não, até se ri!</span><br />
<span style="color:#003366;">— Sou um parvo! — exclama, batendo com a mão na testa. — Ainda nem me apresentei. Ora bem, rapaz, eu sou o tio Zé!</span><br />
<span style="color:#003366;">O homem dá a volta ao carro e vem estender a mão a Leo.</span><br />
<span style="color:#003366;">Leo agarra-a, hesitante.</span><br />
<span style="color:#003366;">O tio Zé? Leo esforça-se por se lembrar… Nunca ouviu falar de nenhum tio Zé.</span><br />
<span style="color:#003366;">O homem olha para ele como quem o examina.</span><br />
<span style="color:#003366;">Leo sente-se cada vez mais desconfortável com o seu olhar.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Não acredito! — diz o homem admirado. — A tua mãe nunca falou de mim?</span><br />
<span style="color:#003366;">Leo sacode a cabeça.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Ah, então vou já dizer-lhe das boas! — diz o homem. — Mas agora entra para o carro. Bem sabes que ela não gosta de esperar.</span><br />
<span style="color:#003366;">É verdade.</span><br />
<span style="color:#003366;">A mãe detesta esperar E se o homem sabe disso, é porque deve conhecer a mãe.</span><br />
<span style="color:#003366;">E, então, de certeza que é o tio Zé, não? Sim.</span><br />
<span style="color:#003366;">Mas apesar de tudo…</span><br />
<span style="color:#003366;">Este tio parece a Leo um pouco suspeito.</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#003366;">*</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">O tio desconhecido ainda segura a mão de Leo. É uma sensação esquisita. Leo quer retirar a mão mas, nisto, o homem agarra-lhe o braço e aperta-o com força. Aquilo dói!</span><br />
<span style="color:#003366;">— Ai! — queixa-se Leo.</span><br />
<span style="color:#003366;">Mas o homem continua a apertar.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Vamos lá acabar com o teatro! — diz. De repente, a voz deixou de soar simpática e ele quer arrastar Leo para o carro.</span><br />
<span style="color:#003366;">Com o susto, Leo fica hirto. Finca os pés no chão, mas não adianta. O homem é muito mais forte.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Vou dizer à tua mãe que te portaste muito mal! — ameaça.</span><br />
<span style="color:#003366;">Leo sente o bater do coração no peito. A mãe não gosta que Leo se porte mal. Mas de certeza que gosta ainda menos que alguém lhe puxe pelo braço. Ainda que esse alguém seja o tio Zé!</span><br />
<span style="color:#003366;">Leo quer gritar, mas tem um nó na garganta e não consegue. O homem já abriu a porta do carro.</span><br />
<span style="color:#003366;">De repente, ouve-se um grito agudo como uma sirene:</span><br />
<span style="color:#003366;">— Largue-o!</span><br />
<span style="color:#003366;">O homem olha em volta. Paulina chega a correr.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Largue-o! — guincha ela. — É o meu amigo!</span><br />
<span style="color:#003366;">Não é verdade. Não é nada verdade mas, mesmo assim, Leo sente-se contentíssimo por ela estar ali e por dizer aquilo.</span><br />
<span style="color:#003366;">O homem fica furioso. Diz um palavrão e empurra Leo para o lado. Leo cai, mas o homem não se preocupa. Salta para o carro e arranca a toda a velocidade com um chiar de pneus.</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#003366;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-139" title="img877" src="http://janelasobreoamor.files.wordpress.com/2011/10/img877.jpg?w=300&#038;h=205" alt="" width="300" height="205" /></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;"><strong>Um tio estranho</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">Paulina estende a mão a Leo e ajuda-o a levantar-se.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Magoaste-te? — quer saber.</span><br />
<span style="color:#003366;">Esquisito. Quando empurra alguém no recreio, não fica nada preocupada.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Não, está tudo bem — responde Leo. Mas não é verdade. Dói-lhe a perna e o braço. E o nó na garganta está agora maior. Apetece-lhe chorar.</span><br />
<span style="color:#003366;">— O que é que ele queria? — pergunta Paulina.</span><br />
<span style="color:#003366;">Leo encolhe os ombros.</span><br />
<span style="color:#003366;">— O homem disse que era o meu tio Zé — explica, inseguro.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Que tio tão esquisito! — acha Paulina.</span><br />
<span style="color:#003366;">Leo é da mesma opinião. Por isso, desata a chorar. Entre soluços, conta a história toda a Paulina.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Ele disse que era teu tio? — exclama Paulina, indignada. — Nunca na vida! Estava a mentir.</span><br />
<span style="color:#003366;">A mentir? Que susto! Leo quase entrara no carro de um desconhecido.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Não digas à minha mãe — pede ele. — De certeza que ia ralhar comigo.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Não acho! — diz Paulina com convicção. — Temos de contar-lhe tudo!</span><br />
<span style="color:#003366;">Pega na mão de Leo e leva-o embora dali.</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#003366;">*</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">O quiosque dos jornais é logo na esquina. Um cachorrinho vem ao encontro das crianças a ladrar alegremente.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Desculpa, Bobby — diz Paulina. — Hoje não tenho tempo para brincar.</span><br />
<span style="color:#003366;">Dirige-se ao vendedor e pede-lhe:</span><br />
<span style="color:#003366;">— Podemos fazer um telefonema?</span><br />
<span style="color:#003366;">— O quê? — admira-se o vendedor de jornais. — O que há assim de tão importante?</span><br />
<span style="color:#003366;">Mas estende o seu telefone a Paulina.</span><br />
<span style="color:#003366;">— O teu número de telefone! — pede Paulina impaciente.</span><br />
<span style="color:#003366;">Não é nada fácil. Leo baralha os números e só à terceira tentativa é que acerta. Paulina marca.</span><br />
<span style="color:#003366;">O coração de Leo bate com força. E se o homem fosse mesmo um tio seu? Deve estar zangadíssimo!</span><br />
<span style="color:#003366;">— É a mãe do Leo? — pergunta Paulina naquele momento. — Estamos a telefonar por causa do tio Zé.</span><br />
<span style="color:#003366;">Leo não consegue perceber o que a mãe diz, mas a voz dela soa muito aflita.</span><br />
<span style="color:#003366;">Paulina ouve e acena com a cabeça.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Foi o que pensámos. Não, está tudo bem com o Leo. Sim, ficamos à espera no quiosque.</span><br />
<span style="color:#003366;">Paulina devolve o telefone.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Ela está zangada? — pergunta Leo, preocupado.</span><br />
<span style="color:#003366;">— E de que maneira! — diz Paulina energicamente. — Mas com o falso tio Zé.</span></p>
<p style="text-align:center;"> </p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;"><strong>Um caso de polícia</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">— Agora conta-me lá o que se passou! — pede o vendedor de jornais.</span><br />
<span style="color:#003366;">Mas Leo ainda está muito agitado. Paulina, não, e conta a história toda. O vendedor escuta, preocupado. Depois, pega novamente no telefone.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Isto é um caso para a polícia! — explica, e começa a marcar o número.</span><br />
<span style="color:#003366;">Polícia? Oh, não! Leo nunca teve nada com a polícia. Esperemos que não seja difícil. Paulina parece não se preocupar com isso. Já está ajoelhada no passeio a desenhar.</span><br />
<span style="color:#003366;">É tão corajosa!</span><br />
<span style="color:#003366;">O cãozinho lambe a mão de Leo. Este debruça-se, faz-lhe festinhas, e vai ficando mais calmo.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Leo!</span><br />
<span style="color:#003366;">A mãe chega esbaforida. Leo corre para ela. A mãe pega nele ao colo e abraça-o com muita força.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Estou tão contente por não te ter acontecido nada! — repete a mãe constantemente, chorando e rindo ao mesmo tempo.</span><br />
<span style="color:#003366;">Um carro da polícia pára ao lado do quiosque e dois polícias saem precipitadamente. Leo tem de contar a história outra vez mas, aconchegado nos braços da mãe, já não é tão difícil.</span><br />
<span style="color:#003366;">Os polícias querem saber tudo ao pormenor. O que o homem disse, como era, que carro tinha.</span><br />
<span style="color:#003366;">O carro!</span><br />
<span style="color:#003366;">Era ameaçador mas, Leo nunca o tinha visto. E é tudo de que se lembra.</span><br />
<span style="color:#003366;">Paulina diz então:</span><br />
<span style="color:#003366;">— O carro era azul e até tenho a matrícula.</span><br />
<span style="color:#003366;">Aponta para o passeio. Tinha escrito a matrícula com a pedra.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Céus! És esperta! — elogiam os polícias. A mãe também acha.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Nem sei como posso agradecer-te — diz. — Ainda bem que tomaste conta do Leo.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Mas tenho mesmo de tomar! — diz Paulina. — O Leo é meu amigo.</span><br />
<span style="color:#003366;">Leo sente um calor na barriga e está muito contente por ser amigo de Paulina.</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#003366;">*</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">A Professora Carolina está a explicar as contas, mas Leo não consegue prestar atenção. Nos últimos dias aconteceram muitas coisas e é nisso que está a pensar.</span><br />
<span style="color:#003366;">A polícia conseguiu prender aquele falso tio. O anotar da matrícula por Paulina ajudou. O homem era um temido criminoso que a polícia procurava há já algum tempo. Agora, encontra-se na prisão, e já não pode fazer nada a Leo nem a outras crianças. Ainda bem que Leo não guardou a história para si!</span><br />
<span style="color:#003366;">A mãe quis passar a ir buscá-lo sempre à escola. Felizmente conseguiu convencê-la de que não é preciso, porque vai sempre para casa com Paulina. “E se acontecer alguma coisa, venham sempre ter comigo”, disse o simpático vendedor de jornais.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">Isso fazem eles, mesmo não tendo acontecido nada! Comem um rebuçado ou um chupa-chupa e brincam com o Bobby.</span><br />
<span style="color:#003366;">Leo desenhou um cãozinho no passeio ao lado do quiosque e Paulina escreveu por baixo:</span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#003366;"><a href="http://janelasobreoamor.files.wordpress.com/2011/10/img881.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-140" title="img881" src="http://janelasobreoamor.files.wordpress.com/2011/10/img881.jpg?w=300&#038;h=246" alt="" width="300" height="246" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;"><em>O Bobi é crido.</em></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">Querida é ela, mesmo que ainda não escreva muito bem!</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#003366;">Claro que, agora, Leo chega um pouco mais tarde a casa, mas a mãe não ralha. Fica contente por ele ter uma amiga tão simpática.</span><br />
<span style="color:#003366;">Entretanto, a Professora Carolina acabou a explicação.</span><br />
<span style="color:#003366;">— Leo, começa a trabalhar!</span><br />
<span style="color:#003366;">Paulina já está a fazer as contas. Masca uma pastilha elástica e faz tanto barulho, que mais parece um hipopótamo!</span><br />
<span style="color:#003366;">E ainda bem! Assim, Leo sabe que ela está ao lado dele.</span><br />
<span style="color:#003366;">E, satisfeito, debruça-se sobre os exercícios.</span></p>
<p style="text-align:right;"> </p>
<p style="text-align:right;"><span style="color:#003366;">Frauke Nahrgang</span><br />
<span style="color:#003366;"><em>Nein, ich geh nicht mit, ich kenn dich nicht!</em></span><br />
<span style="color:#003366;">Würzburg, Arena Verlag, 2007</span><br />
<span style="color:#003366;">(Tradução e adaptação)</span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/janelasobreoamor.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/janelasobreoamor.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/janelasobreoamor.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/janelasobreoamor.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/janelasobreoamor.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/janelasobreoamor.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/janelasobreoamor.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/janelasobreoamor.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/janelasobreoamor.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/janelasobreoamor.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/janelasobreoamor.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/janelasobreoamor.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/janelasobreoamor.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/janelasobreoamor.wordpress.com/78/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=janelasobreoamor.wordpress.com&amp;blog=1407429&amp;post=78&amp;subd=janelasobreoamor&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Tens namorada, Jerónimo?</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Oct 2011 19:23:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>div. temas</dc:creator>
				<category><![CDATA[adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[comportamentos]]></category>

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		<description><![CDATA[Tens namorada, Jerónimo? Ainda sou uma criança. O que não significa que seja um bebé. Bebé é a minha irmã Rosa, que ainda não sabe andar nem falar, e que faz xixi nas fraldas. Uma coisa é ser-se criança, outra é ser-se bebé. Gosto de ir ao mercado com os meus pais. Paramos numa e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=janelasobreoamor.wordpress.com&amp;blog=1407429&amp;post=62&amp;subd=janelasobreoamor&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><strong>Tens namorada, Jerónimo?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Ainda sou uma criança. O que não significa que seja um bebé. Bebé é a minha irmã Rosa, que ainda não sabe andar nem falar, e que faz xixi nas fraldas. Uma coisa é ser-se criança, outra é ser-se bebé.<br />
Gosto de ir ao mercado com os meus pais. Paramos numa e noutra banca a fazer compras.<br />
— Olá, Jerónimo — diz o peixeiro.<br />
— Olá — respondo.<br />
— Então, já tens namorada?</p>
<p style="text-align:center;"></p>
<p style="text-align:justify;">Hortênsia, a senhora que vende fruta, dá-me sempre alguma coisa: uma tangerina, uvas, uma banana…<br />
— Obrigado — digo, para os meus pais não dizerem que sou mal-educado…<br />
— Gostas?<br />
— Sim.<br />
— Ainda bem, Jerónimo&#8230; Já arranjaste uma namorada? — pergunta ela, também.</p>
<p style="text-align:center;"></p>
<p style="text-align:justify;">No outro dia, o telefone tocou e, como estava perto, atendi.<br />
— Estou?<br />
— Sou o Leonardo.<br />
Leonardo é um amigo do meu pai. Jogam os dois numa equipa de futebol de salão aos fins-de-semana.<br />
— Como vai isso, Jerónimo?<br />
— Tudo bem.<br />
— E então, como está a tua namorada?</p>
<p style="text-align:center;"></p>
<p style="text-align:justify;">No domingo, fomos comer a casa dos meus avós. Foi muito agradável. Também lá estavam os meus tios e primo, que é da minha idade. Quando acabámos de comer, o meu tio, que estava sentado ao meu lado, deu-me uma cotovelada.<br />
— O teu primo já tem namorada. E tu, Jerónimo?</p>
<p style="text-align:center;"></p>
<p style="text-align:justify;">O porteiro do meu prédio chama-se Nando. Embora todos o tratem assim, é bastante idoso: tem cabelos brancos e é muito surdo. Quando vou para a escola de manhã, lá está ele a varrer a entrada do prédio.<br />
— Olá, Jerónimo.<br />
— Olá, Nando.<br />
— Um dia destes vou apresentar-te a uma neta muito linda que tenho — diz-me ele. — Pode ser que se tornem namorados…</p>
<p style="text-align:center;"></p>
<p style="text-align:justify;">Pensei muito e, por fim, decidi-me.<br />
Na escola, aproveitei a meia hora do recreio. Em vez de ir jogar, como de costume, fui para junto da Lorena, que estava a desembrulhar a sua sandes.<br />
— A minha é de queijo — disse-lhe. — E a tua?<br />
— De mortadela.<br />
— Se quiseres, podemos dividi-las.<br />
— Está bem.<br />
Como a Lorena aceitou a minha proposta, pensei que isso significasse qualquer coisa. Por isso, perguntei-lhe:<br />
— Queres ser minha namorada?<br />
— Não — respondeu ela.<br />
— Porquê? — insisti.<br />
— Porque desde ontem que sou a namorada do Assis.<br />
Que fracasso! E eu que, ainda por cima, não gosto nada de mortadela!</p>
<p style="text-align:center;"></p>
<p style="text-align:justify;">Propus namoro à Noélia, à Mila, à Carolina e à Isabel.<br />
Mas a Noélia já era namorada do Xavier. A Mila namorava com o Luís, a Carolina com o Gustavo e a Isabel com o Ricardo.<br />
Afastei-me delas, um pouco envergonhado.</p>
<p style="text-align:center;"></p>
<p style="text-align:justify;">A Bárbara é a minha melhor amiga. Vivemos muito perto e, depois da escola, fico muitas vezes a brincar com ela, a fazer os trabalhos de casa, ou a ver um filme na televisão.<br />
— Bárbara, tens namorado? — perguntei-lhe.<br />
— Não.<br />
Respirei, satisfeito. Sabia que a Bárbara não me deixaria ficar mal.<br />
— Queres ser minha namorada, Bárbara?<br />
— Não.<br />
Fiquei de boca aberta e levei algum tempo a reagir.<br />
— Porquê?<br />
— Porque nunca me vou casar. Quero ser sempre solteira.</p>
<p style="text-align:center;"></p>
<p style="text-align:justify;">Porque é que todos os adultos me perguntam se tenho uma namorada? Não se dão conta de que ainda sou uma criança? Não percebem que as crianças como eu gostam é de correr no recreio, caminhar nas poças quando chove, ou ir ao parque de diversões?<br />
Além disso, penso fazer como a Bárbara: quero ficar sempre solteiro!</p>
<p style="text-align:right;">Alfredo Gómez Cerdá<br />
<em>Soy… Jerónimo</em><br />
Madrid, Bruño, 2006<br />
(Tradução e adaptação)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/janelasobreoamor.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/janelasobreoamor.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/janelasobreoamor.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/janelasobreoamor.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/janelasobreoamor.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/janelasobreoamor.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/janelasobreoamor.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/janelasobreoamor.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/janelasobreoamor.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/janelasobreoamor.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/janelasobreoamor.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/janelasobreoamor.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/janelasobreoamor.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/janelasobreoamor.wordpress.com/62/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=janelasobreoamor.wordpress.com&amp;blog=1407429&amp;post=62&amp;subd=janelasobreoamor&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Definição do amor humano</title>
		<link>http://janelasobreoamor.wordpress.com/2008/05/12/definicao-do-amor-humano/</link>
		<comments>http://janelasobreoamor.wordpress.com/2008/05/12/definicao-do-amor-humano/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 12 May 2008 09:22:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>div. temas</dc:creator>
				<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[comportamentos]]></category>
		<category><![CDATA[responsabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://janelasobreoamor.wordpress.com/?p=32</guid>
		<description><![CDATA[Enrique Rojas O Homem light Coimbra, Gráfica de Coimbra, 1994 (excerto adaptado) Definição do amor humano A relação sexual sem amor Sexualidade vazia e sem rumo As três caras do acto sexual As cadeias e escravidões do mundo livre  SEXUALIDADE LIGHT Definição do amor humano Fala-se hoje em dia muito de amores e, mais concretamente, de uniões sentimentais, mas muito [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=janelasobreoamor.wordpress.com&amp;blog=1407429&amp;post=32&amp;subd=janelasobreoamor&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Enrique Rojas<br />
<em>O Homem light</em><br />
Coimbra, Gráfica de Coimbra, 1994<br />
(excerto adaptado)</p>
<li><span style="color:#0b76ae;"><span style="color:#000000;">Definição do amor humano</span> </span></li>
<li><a href="http://janelasobreoamor.wordpress.com/2008/05/12/a-relacao-sexual-sem-amor/"><span style="color:#0b76ae;">A relação sexual sem amor </span></a></li>
<li><a href="http://janelasobreoamor.wordpress.com/2008/05/12/sexualidade-vazia-e-sem-rumo/"><span style="color:#0b76ae;">Sexualidade vazia e sem rumo </span></a></li>
<li><a href="http://janelasobreoamor.wordpress.com/2008/05/12/as-tres-caras-do-acto-sexual/"><span style="color:#0b76ae;">As três caras do acto sexual </span></a></li>
<li><a href="http://janelasobreoamor.wordpress.com/2008/05/12/as-cadeias-e-escravidoes-do-mundo-livre/"><span style="color:#0b76ae;">As cadeias e escravidões do mundo livre </span></a></li>
<h2 style="text-align:center;"> SEXUALIDADE LIGHT</h2>
<h2 style="text-align:center;">Definição do amor humano</h2>
<p align="justify">Fala-se hoje em dia muito de amores e, mais concretamente, de <em>uniões sentimentais</em>, mas muito pouco de <em>amor</em>, o que suscita uma grande confusão. A qualquer relação superficial e passageira damos-lhe o nome de «amor». Uma das formas mais representativas do amor é a que se pratica entre o homem e a mulher. A análise desse encontro, seus labirintos, as brechas por onde se deixa entrever, oferecem-nos uma série sucessiva de paisagens psicológicas muito interessantes, que ilustram o que é e em que consiste realmente o amor, já que falamos dele sem grande propriedade.</p>
<p align="justify">Há que voltar a descobrir o seu verdadeiro sentido, ainda que seja uma questão impopular e difícil de conseguir. Há que recuperar o termo no seu sentido teórico e prático, voltar a incluí-lo na nossa vida.</p>
<p align="justify">Em resumo: restituir-lhe a sua profundidade e o seu mistério. Esta é a tarefa deste capítulo e a primeira questão consiste em identificar e distinguir <em>amor</em> e <em>sexo</em>. Geralmente, em muitas relações sexuais há de tudo, menos amor autêntico, por mais que lhe apliquemos esse qualificativo; na realidade é paixão, pelo que desde logo não é amor. É claro que num mundo em crise de valores como é o nosso tudo vale, tudo é tolerável, admitimos qualquer coisa, concretamente no que se refere ao pensamento e às ideias.</p>
<p align="justify">O amor humano é um sentimento de aprovação e afirmação do outro, pelo qual a nossa vida adquire um novo sentido de busca e desejo de estar junto com a outra pessoa. Entre a atracção inicial e enamoramento há um grande caminho a percorrer; uns ficam a meio do trajecto; outros, prosperam e alcançam esse desejar estar junto ao outro, uma das características que definem o amor.</p>
<p align="justify">O que é amar alguém? O que significa? Amar outra pessoa é desejar-lhe o melhor, olhar por ela, tratá-la de forma excepcional, dar-lhe o melhor de nós mesmos. O que inicialmente atrai é a aparência física, a beleza, que logo se torna psicológica e espiritual. Em geral, podemos afirmar que o amor baseado e centrado na beleza física costuma ter um mau prognóstico. Com ele não se chega muito longe; por isso, no enamoramento, o sentimento essencial é «Necessito de ti», «És para mim fundamento de vida», «És o meu projecto». Dito em termos coloquiais: «És a minha vida». Maurice Blondel define assim o amor: «L’amour est par excellence ce qui fait être», «o amor é antes de mais aquilo que faz ser».</p>
<p align="justify">O que o homem necessita na vida é amor, amar e ser amado. A felicidade não é possível sem o amor. Amar outra pessoa é querer a sua liberdade, que se aproxime o mais possível dela, quer dizer, do bem. Essa é a sua grande meta. Ajudar a outra pessoa a transcender-se, ajudá-la a exteriorizar tudo, a que esteja contente e feliz com a sua existência</p>
<p align="justify">
<p align="justify"> </p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/janelasobreoamor.wordpress.com/32/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/janelasobreoamor.wordpress.com/32/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/janelasobreoamor.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/janelasobreoamor.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/janelasobreoamor.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/janelasobreoamor.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/janelasobreoamor.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/janelasobreoamor.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/janelasobreoamor.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/janelasobreoamor.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/janelasobreoamor.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/janelasobreoamor.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/janelasobreoamor.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/janelasobreoamor.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/janelasobreoamor.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/janelasobreoamor.wordpress.com/32/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=janelasobreoamor.wordpress.com&amp;blog=1407429&amp;post=32&amp;subd=janelasobreoamor&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A relação sexual sem amor</title>
		<link>http://janelasobreoamor.wordpress.com/2008/05/12/a-relacao-sexual-sem-amor/</link>
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		<pubDate>Mon, 12 May 2008 08:57:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>div. temas</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Enrique Rojas O Homem light Coimbra, Gráfica de Coimbra, 1994 (excerto adaptado) Definição do amor humano A relação sexual sem amor Sexualidade vazia e sem rumo As três caras do acto sexual As cadeias e escravidões do mundo livre  SEXUALIDADE LIGHT A relação sexual sem amor Qualquer amor autêntico aspira ao estado absoluto. Um amor desse tipo enche o coração [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=janelasobreoamor.wordpress.com&amp;blog=1407429&amp;post=31&amp;subd=janelasobreoamor&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Enrique Rojas<br />
<em>O Homem light</em><br />
Coimbra, Gráfica de Coimbra, 1994<br />
(excerto adaptado)</p>
<li><a href="http://janelasobreoamor.wordpress.com/2008/05/12/definicao-do-amor-humano/"><span style="color:#0b76ae;">Definição do amor humano </span></a></li>
<li><span style="color:#0b76ae;"><span style="color:#000000;">A relação sexual sem amor</span> </span></li>
<li><a href="http://janelasobreoamor.wordpress.com/2008/05/12/sexualidade-vazia-e-sem-rumo/"><span style="color:#0b76ae;">Sexualidade vazia e sem rumo </span></a></li>
<li><a href="http://janelasobreoamor.wordpress.com/2008/05/12/as-tres-caras-do-acto-sexual/"><span style="color:#0b76ae;">As três caras do acto sexual </span></a></li>
<li><a href="http://janelasobreoamor.wordpress.com/2008/05/12/as-cadeias-e-escravidoes-do-mundo-livre/"><span style="color:#0b76ae;">As cadeias e escravidões do mundo livre </span></a></li>
<h2 style="text-align:center;"> SEXUALIDADE LIGHT</h2>
<h3 style="text-align:center;">A relação sexual sem amor</h3>
<p>Qualquer amor autêntico aspira ao estado absoluto. Um amor desse tipo enche o coração do homem de alegria e paz, e sacia-o interiormente, fá-lo sentir-se pleno. O grande objectivo é o bem, que pode ser de três tipos:</p>
<p align="justify">1. <em>Bem útil</em>. É considerado desde um ponto de vista prático. Por exemplo, é mais útil ir de Madrid a Buenos Aires de avião do que de barco, porque supõe ganho de tempo e dinheiro.<br />
2. <em>Bem agradável</em>. Aquele que nos brinda com algum tipo de prazer, que percebemos por meio da satisfação que produz em nós.<br />
3. <em>Bem moral</em>. Aquele que tem a bondade em si mesmo, já que aponta para a melhor evolução do ser humano, ainda que seja necessário esforço e luta para o conseguir. Por exemplo, Tomás Moro fez uma coisa boa quando se opôs a Henrique VIII, embora lhe custasse a vida; permaneceu na história o seu exemplo de bem moral e coerência interior.</p>
<p align="justify">Pois bem, na <em>relação sexual sem amor autêntico</em> o outro é um objecto de prazer. Não se procura o bem do outro, mas o prazer com ele. Sob nenhum aspecto se pode denominar isto como <em>amor verdadeiro</em> porque utilizamos e instrumentalizamos uma pessoa «querida» para satisfazer o nosso prazer. Neste tipo de relação, a pessoa que utiliza o outro é ególatra e só persegue a sua própria satisfação; nunca há um encontro verdadeiro entre um <em>eu</em> e um <em>tu</em>, mas tão somente uma união sem vínculos.</p>
<p align="justify">Há que construir uma nova pedagogia do amor, partindo da própria pessoa e não do prazer sexual anteposto ao amor. Foi precisamente esta adulteração dos termos que nos conduziu a um <em>consumo de sexo</em>, o qual se afasta do sentido profundo do encontro amoroso. O <em>partenaire</em> nas relações sexuais não tem importância como pessoa, mas só como físico. Aquele que unicamente olha ao sexo não necessita de outra pessoa enquanto pessoa, só deseja tirar proveito dela. Esta relação converte-se em algo pobre, hedonista, egoísta&#8230; O comércio sexual indiscriminado afasta o homem da mulher, porque nele se produz um contacto superficial, trivial, débil e insignificante. Não são válidos os argumentos estatísticos de «Isto quase toda a gente o faz», «A vida hoje é assim» ou «Estes são os tempos que correm», para que duas pessoas se entreguem intimamente sem amor, porque tudo se desvirtua. Daí que aquilo que se consegue sem esforço e sem compromisso não seja apreciado, perca o seu valor e, a longo prazo, até o seu atractivo.</p>
<p align="justify">A sexualidade sem amor autêntico conduz a um vazio gradual que desemboca em fastio, indiferença e cepticismo, quer dizer, uma atitude descomprometida em excesso. Às vezes podemos até, graças a um espírito crítico, descobrir na sua base notas autodestrutivas.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/janelasobreoamor.wordpress.com/31/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/janelasobreoamor.wordpress.com/31/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/janelasobreoamor.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/janelasobreoamor.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/janelasobreoamor.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/janelasobreoamor.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/janelasobreoamor.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/janelasobreoamor.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/janelasobreoamor.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/janelasobreoamor.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/janelasobreoamor.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/janelasobreoamor.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/janelasobreoamor.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/janelasobreoamor.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/janelasobreoamor.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/janelasobreoamor.wordpress.com/31/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=janelasobreoamor.wordpress.com&amp;blog=1407429&amp;post=31&amp;subd=janelasobreoamor&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Sexualidade vazia e sem rumo</title>
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		<pubDate>Mon, 12 May 2008 08:53:34 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Enrique Rojas O Homem light Coimbra, Gráfica de Coimbra, 1994 (excerto adaptado) Definição do amor humano A relação sexual sem amor Sexualidade vazia e sem rumo As três caras do acto sexual As cadeias e escravidões do mundo livre  SEXUALIDADE LIGHT Sexualidade vazia e sem rumo Assistimos hoje em dia a uma idolatria do sexo. Os meios de comunicação e, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=janelasobreoamor.wordpress.com&amp;blog=1407429&amp;post=30&amp;subd=janelasobreoamor&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Enrique Rojas<br />
<em>O Homem light</em><br />
Coimbra, Gráfica de Coimbra, 1994<br />
(excerto adaptado)</p>
<li><a href="http://janelasobreoamor.wordpress.com/2008/05/12/definicao-do-amor-humano/"><span style="color:#0b76ae;">Definição do amor humano </span></a></li>
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<li><span style="color:#0b76ae;"><span style="color:#000000;">Sexualidade vazia e sem rumo</span> </span></li>
<li><a href="http://janelasobreoamor.wordpress.com/2008/05/12/as-tres-caras-do-acto-sexual/"><span style="color:#0b76ae;">As três caras do acto sexual </span></a></li>
<li><a href="http://janelasobreoamor.wordpress.com/2008/05/12/as-cadeias-e-escravidoes-do-mundo-livre/"><span style="color:#0b76ae;">As cadeias e escravidões do mundo livre </span></a></li>
<h2 style="text-align:center;"> SEXUALIDADE LIGHT</h2>
<h3 style="text-align:center;">Sexualidade vazia e sem rumo</h3>
<p align="justify">Assistimos hoje em dia a uma <em>idolatria do sexo</em>. Os meios de comunicação e, em especial, o cinema e a televisão, serviram-no-lo de bandeja. Há sexo por todo o lado, sem afectividade nem amor, apenas como um itinerário serpenteante, divertido e turbulento, no qual se misturam valores como a conquista, a busca do prazer e o desfrutamento sem restrições. Os meios de comunicação prometem a libertação e o encontro consigo mesmo em paraísos de sensações maravilhosas: sexo sem fim, diversão, jogo caprichoso. Assim se pretende enganar e convencer o homem de que sexo e amor significam o mesmo, de que praticar o sexo é interessante, sem ser necessário propôr-se mais nada. Tudo desde um ponto de vista materialista e desumanizado.</p>
<p align="justify">Vivemos numa época confusa quanto a este aspecto, já que perdidos os pontos de referência, uma vez que os valores se perderam, tudo se torna relativo, descendo nós pela rampa do subjectivismo e do egocentrismo, numa palavra: egoísmo. Cada um tem um código particular de valores em que se deixa de chamar às coisas pelos seus nomes. Chega-se assim a um <em>amor rebotalho</em>: tudo a baixo preço, ligeiro, light, sem conteúdo, insubstancial, sem rumo; uma relação anónima, indiferente, passageira, que se leva a cabo de forma animal e primária na primeira oportunidade que surge. Numa palavra: <em>sexualidade sem importância</em>, <em>sem interesse</em>, <em>desvalorizada</em>, <em>carente de autêntica intimidade</em>, na qual não existe amor — ainda que este termo se adultere e utilize indevidamente —, mas sim encontros físicos para desfrutar reciprocamente e nos quais acontece utilização mútua. Contudo, o <em>amor verdadeiro torna o homem mais humano, transforma o seu passado e ilumina o seu porvir</em>; é uma síntese de ingredientes físicos, psicológicos e espirituais. Com o amor verdadeiro somos mais donos de nós mesmos, e enobrecemo-nos. É que este tem os ingredientes necessários: é exclusivo e brota de uma afinidade que se move até à eleição; e faz com que se produza uma excursão até à intimidade da outra pessoa, com tudo o que isso implica: descobri-la e tornar-se participante nos seus desejos e ilusões.</p>
<p align="justify">Tal como no adulto, isto também se passa com a criança e o adolescente: ambos descobrem a vida com o passar do tempo, gradualmente, acostumando-se à sua complexidade e artifícios. Quer dizer, pratica-se uma espeleologia interior ou uma descida às zonas profundas da personalidade, com o intuito de ficar agarrado a elas. Contudo, nas <em>relações light</em> isto não é possível, porque não há uma pretensão de conhecer o outro; porque é transitório, epidérmico e intranscendente.</p>
<p align="justify"><em>Tudo o que comporta o amor verdadeiro traduz-se num gozo interior que é promessa de futuro e necessidade de compartilhar a vida, arriscando-a</em>. Encontra-se uma pessoa que vale a pena, uma pessoa ante a qual um alguém se detém e com a qual põe a possibilidade de iniciar um caminho. Ou dito de outro modo: Também podemos descobrir terras inexploradas e saber o que há por detrás delas. Tudo isto é a atracção, pela qual alguém se coloca na disposição de jogar tudo numa cartada. Não é <em>algo</em> o que vemos mas <em>alguém</em> interessante e valioso que provoca em nós admiração*. É um achado misterioso e fascinante que, quando consigo leva tudo por diante, nos apraz recordar como um desses momentos siderais da existência.</p>
<p align="justify">*A condição <em>sine qua non</em> para se enamorar de outra pessoa é a admiração: querer penetrar no seu conhecimento, ver o que há aí, buscar o seu conteúdo, intimamente; descobrir o complemento da <em>beleza exterior</em>, quer dizer, a harmonia e a ordem ou coerência interior. Esta viagem psicológica constitui uma das vivências mais inolvidáveis pela qual pode passar o ser humano.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/janelasobreoamor.wordpress.com/30/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/janelasobreoamor.wordpress.com/30/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/janelasobreoamor.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/janelasobreoamor.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/janelasobreoamor.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/janelasobreoamor.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/janelasobreoamor.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/janelasobreoamor.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/janelasobreoamor.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/janelasobreoamor.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/janelasobreoamor.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/janelasobreoamor.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/janelasobreoamor.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/janelasobreoamor.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/janelasobreoamor.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/janelasobreoamor.wordpress.com/30/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=janelasobreoamor.wordpress.com&amp;blog=1407429&amp;post=30&amp;subd=janelasobreoamor&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>As três caras do acto sexual</title>
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		<pubDate>Mon, 12 May 2008 08:46:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>div. temas</dc:creator>
				<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[comportamentos]]></category>
		<category><![CDATA[responsabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Enrique Rojas O Homem light Coimbra, Gráfica de Coimbra, 1994 (excerto adaptado) Definição do amor humano A relação sexual sem amor Sexualidade vazia e sem rumo As três caras do acto sexual As cadeias e escravidões do mundo livre  SEXUALIDADE LIGHT As três caras do acto sexual A relação sexual deve ser definida a partir do amor. Por outro lado, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=janelasobreoamor.wordpress.com&amp;blog=1407429&amp;post=29&amp;subd=janelasobreoamor&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Enrique Rojas<br />
<em>O Homem light</em><br />
Coimbra, Gráfica de Coimbra, 1994<br />
(excerto adaptado)</p>
<li><a href="http://janelasobreoamor.wordpress.com/2008/05/12/definicao-do-amor-humano/"><span style="color:#0b76ae;">Definição do amor humano </span></a></li>
<li><a href="http://janelasobreoamor.wordpress.com/2008/05/12/a-relacao-sexual-sem-amor/"><span style="color:#0b76ae;">A relação sexual sem amor </span></a></li>
<li><a href="http://janelasobreoamor.wordpress.com/2008/05/12/sexualidade-vazia-e-sem-rumo/"><span style="color:#0b76ae;">Sexualidade vazia e sem rumo </span></a></li>
<li><span style="color:#0b76ae;"><span style="color:#000000;">As três caras do acto sexual</span> </span></li>
<li><a href="http://janelasobreoamor.wordpress.com/2008/05/12/as-cadeias-e-escravidoes-do-mundo-livre/"><span style="color:#0b76ae;">As cadeias e escravidões do mundo livre </span></a></li>
<h2 style="text-align:center;"> SEXUALIDADE LIGHT</h2>
<h3 style="text-align:center;">As três caras do acto sexual</h3>
<p><strong></strong></p>
<p align="justify">A relação sexual deve ser definida a partir do amor. Por outro lado, <em>a sexualidade é uma linguagem pela qual transmitimos a afectividade</em>, já que a pessoa, porque é sexuada, necessita de um intercâmbio físico, e isto implica exceder o mero contacto sexual, ir para além de si, mesmo, buscar a promoção do outro em todos os âmbitos da vida. É encontrar o casal como projecto, como programa comum, arriscando-nos nesta aventura em que é necessário tomar uma determinação extrema se se quer que não fracasse.</p>
<p align="justify">Leibnitz dizia no seu livro <em>Noveaux essais</em>: «Amor quer dizer sentir-se inclinado a alegrar-se na perfeição e no bem do outro, na sua felicidade». Não há amor sem alegria, porém na <em>relação sexual light</em> o que existe é um <em>bem-estar sem alegria autêntica</em>. É um estalido de prazer fugaz, que não ajuda à maturação da personalidade; um <em>consumo de sexo</em> nas suas diferentes versões. A pornografia, as revistas, os vídeos, os telefones eróticos, etc, converteram-se num grande negócio, em que se exploram as paixões mais ligadas aos instintos, em que se potência o mais primário do homem, porém desligado do seu fim amoroso. Por isso, a <em>sexualidade light</em> não faz mais com que alguém seja dono de si mesmo, nem melhora a personalidade, nem torna o homem mais compreensivo e humano. Introdu-lo num carrocel de sensações orgásmicas e de um consumo de sexo que cada vez pede mais e que conduz a uma neurose obsessiva de o conseguir e, em consequência, a uma desumanização.</p>
<p align="justify">O <em>acto sexual com amor</em> de verdade consta de três ingredientes essenciais: a) <em>físico</em>; b) <em>psicológico</em>; e c) <em>espiritual</em>. O outro é aceite como pessoa e o facto de ficarem despidos um frente ao outro produz uma entrega singular na qual ambos <em>dão e recebem</em> amor. São duas intimidades que se fundem e buscam ajuda, e compartilham a vida com tudo o que esta comporta. Essa conjunção é reciprocidade. Stendhal, no seu tratado <em>Sobre o amor</em>*, faz uma detalhada descrição de todos os sentimentos que implica esta palavra: delicadeza, esperança, exagero das suas propriedades positivas e tendência à idealização — <em>cristalização</em>. Ortega, em <em>Estudos sobre o amor</em>, diz que a conquista é «um jogo de tira e põe, de solicitude e desdém, de presença e ausência&#8230; jogo mecânico sobre a atenção do outro».</p>
<p align="justify">Quando se fixa esse amor incipiente, uma pessoa joga tudo numa cartada, e deixa a descoberto que tipo de verdade desejamos e a que nos submetemos. Também são interessantes os pensamentos de Max Scheler sobre o amor e a amizade no seu livro <em>Essências e formas da simpatia</em>. A sua análise fenomenológica procura o eterno no homem desde a perspectiva dos sentimentos, ficando representado nos valores, que, sendo intemporais, põem a descoberto o melhor que há no homem e conduzem à realização moral. Outro autor alemão contemporâneo Spaemann, diz que o mundo instintivo produz uma satisfação imediata, mas que a felicidade através do amor se centra na ética antiga, que residia no tirar proveito da própria vida na base do respeito, relação cuidadosa, benevolência e perdão.</p>
<p align="justify">A penumbra subterrânea de cada um ilumina-se através do amor verdadeiro, que aflora paulatinamente; enquanto o sexual é macroscópico, o sentimental é microscópico; um olha ao conjunto e, ao primário enquanto que o outro olha ao detalhe e ao mais secundário. Na relação amorosa é fundamental a sexualidade, porém sempre sujeita à afectividade, pois que aquela não é prioritária.</p>
<p align="justify"> </p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/janelasobreoamor.wordpress.com/29/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/janelasobreoamor.wordpress.com/29/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/janelasobreoamor.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/janelasobreoamor.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/janelasobreoamor.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/janelasobreoamor.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/janelasobreoamor.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/janelasobreoamor.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/janelasobreoamor.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/janelasobreoamor.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/janelasobreoamor.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/janelasobreoamor.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/janelasobreoamor.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/janelasobreoamor.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/janelasobreoamor.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/janelasobreoamor.wordpress.com/29/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=janelasobreoamor.wordpress.com&amp;blog=1407429&amp;post=29&amp;subd=janelasobreoamor&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>As cadeias e escravidões do mundo livre</title>
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		<pubDate>Mon, 12 May 2008 08:37:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>div. temas</dc:creator>
				<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[comportamentos]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[ Enrique Rojas O Homem light Coimbra, Gráfica de Coimbra, 1994 (excerto adaptado) Definição do amor humano A relação sexual sem amor Sexualidade vazia e sem rumo As três caras do acto sexual As cadeias e escravidões do mundo livre SEXUALIDADE LIGHT As cadeias e escravidões do mundo livre Quase todos os movimentos vanguardistas perseguiram arduamente a paixão frenética como novidade. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=janelasobreoamor.wordpress.com&amp;blog=1407429&amp;post=28&amp;subd=janelasobreoamor&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:left;"> Enrique Rojas<br />
<em>O Homem light</em><br />
Coimbra, Gráfica de Coimbra, 1994<br />
(excerto adaptado)</p>
<li><a href="http://janelasobreoamor.wordpress.com/2008/05/12/definicao-do-amor-humano/"><span style="color:#0b76ae;">Definição do amor humano </span></a></li>
<li><a href="http://janelasobreoamor.wordpress.com/2008/05/12/a-relacao-sexual-sem-amor/"><span style="color:#0b76ae;">A relação sexual sem amor </span></a></li>
<li><a href="http://janelasobreoamor.wordpress.com/2008/05/12/sexualidade-vazia-e-sem-rumo/"><span style="color:#0b76ae;">Sexualidade vazia e sem rumo </span></a></li>
<li><a href="http://janelasobreoamor.wordpress.com/2008/05/12/as-tres-caras-do-acto-sexual/"><span style="color:#0b76ae;">As três caras do acto sexual </span></a></li>
<li><span style="color:#0b76ae;"><span style="color:#000000;">As cadeias e escravidões do mundo livre</span> </span></li>
<h2 style="text-align:center;">SEXUALIDADE <em>LIGHT</em></h2>
<h3 style="text-align:center;">As cadeias e escravidões do mundo livre</h3>
<p align="justify">Quase todos os movimentos vanguardistas perseguiram arduamente a paixão frenética como novidade. Agora estamos na <em>pós-modernidade</em>. Há uma trajectória-chave na história do pensamento e é a que vai desde a Revolução Francesa (1789) até ao enciclopedismo, donde surgiu a <em>crença no progresso indefinido</em>.</p>
<p align="justify">Todos os <em>ismos</em> artísticos estiveram unidos a processos políticos decisivos: desde o <em>fascismo</em> ao <em>comunismo</em> revolucionário; desde o <em>surrealismo</em> preconizado por André Breton e inspirado de algum modo por Freud, ao <em>marxismo</em> como teoria de luta de classes; desde o <em>existencialismo</em> com toda a sua força, à pintura abstracta que vai desde Vasilii Kandinsky e Paul Klee até Jasper Johns, Willem de Kooning, passando por Miro, Antoni Tàpies e toda a pintura não realista. Depois, o construtivismo, o expressionismo abstracto e a arte conceptual. Transitários do descrédito do marxismo corno explicação global do mundo, à substituição do futurismo da pintura. A morte de Karl Marx como símbolo ideológico traçou os limites entre duas etapas, o começo duma nova era, cuja queda tem um enorme significado histórico que começamos agora a presenciar.</p>
<p align="justify">É daqui que se produz o <em>homem light</em>. Dessa zona de indefinição, desse caminho sem meta. <em>O frenesim da diversão e afirmação de que tudo vale o mesmo</em> mostra-nos um homem para o qual é mais importante a rapidez em alcançar o desejado que a meta em si. Esta <em>apoteose do superficial foi tendo uma série de dramáticas consequências: a dependência do sexo, da droga, do jogo, dos sedativos e do zapping</em>, todos como ansiolíticos. Embora sendo manifestações diferentes, têm um fundo comum.</p>
<p align="justify">No que respeita ao sexo, numa reportagem recente da agência <em>Europa Today</em> (3-II-92) analisam-se os efeitos de uma precoce iniciação sexual, de tal forma que as gravidezes e os abortos entre adolescentes duplicaram em alguns países europeus. As relações são estimuladas continuamente na televisão, a qual leva a fazer uma experiência imediata desta realidade que, por vezes, tão pouco se conhece. Os jovens não têm recursos psicológicos nem educativos nem de formação para controlar este aluvião. Por outro lado, o tráfico de vídeos porno em alguns países como a Alemanha é uma grande preocupação actual. Com o pensamento <em>light</em> como bandeira, não se pode censurar esta conduta comercial. Porque é que isso não é bom, se agrada às pessoas e não causa dano a ninguém? Através do ibertex alemão, o mais desenvolvido da Comunidade Europeia, podem-se conseguir as imagens sexuais mais alucinantes, surpreendentes e depravadas que se possam imaginar. Trata-se de materiais nos quais a mulher é humilhada e apresentada como objecto de prazer, de usar e deitar fora, de subordinação e submissão servil.</p>
<p align="justify">A pornografia é todo o contrário da sexualidade verdadeira, frustra o autêntico progresso moral do homem, e conduz as relações entre homem e mulher a um comércio de exploração. Para alguns essa é uma prova evidente de liberdade, contudo não é desde o início um caminho acertado deixar-se escravizar e viver sujeito a algo que exige constantemente uma conduta sexual que nos pode desorientar e criar a sensação de perda de si mesmo. No <em>lightismo</em> confunde-se liberdade com pornografia, equiparam-se sem que isso importe demasiado. Portanto uma sociedade que não é capaz de criticar isto, debilita as suas bases morais e deforma os comportamentos humanos, que só se movem instintivamente e com um sentido muito materialista. Outra epidemia que afecta a sociedade do <em>homem light</em>, mais directamente relacionada com a juventude, é a <em>droga</em>, daí a sua gravidade.</p>
<p align="justify">Doutro lado está a dependência do jogo que constitui uma nova enfermidade: as balanças automáticas, as maquinetas dos jogos recreativos que prendem os seus consumidores, que não se conseguem subtrair à sua inclinação, chegam a criar uma dependência parecida à de uma droga. A <em>ludopatia</em> é definida na actualidade como uma <em>afeição compulsiva pelo jogo</em>; desde a lotaria às apostas organizadas, passando pelas suas diferentes formas. É uma tendência irresistível.</p>
<p align="justify">Quanto aos fármacos tranquilizantes, os dados estão aí. Segundo o Semanário francês <em>L’Express</em> (25-1-91), entre 1984-1990 as receitas de tranquilizantes aumentou 75 por cento, o que equivale a um custo de mais de mil e quinhentos francos por pessoa. Os ansiolíticos constituem o recurso mais fácil. Porquê? Busca-se o desejo de evasão da realidade pessoal, não gratificante e com um grande vazio existencial.</p>
<p align="justify">Há um caso curioso e que se pode ler no <em>The Independent</em> (12-11-92). Depois da etapa denominada <em>libertação sexual</em>, que conduziu à desinibição total e ao desfrute de todos os prazeres corporais, surge a associação <em>Sexalholics Anonymous</em>, algo parecido com os alcoólicos anónimos, a pedir ajuda no sentido de pôr fim à campanha sexual actual, levada a cabo sobretudo pela televisão e os <em>mass media</em>. Os que pertencem a esta colectividade são pessoas para quem a actividade sexual se converteu num impulso incoercível e incontrolável numa obsessão e numa dependência das quais não é possível escapar. O sexo aparece como algo irresistível, insaciável, que obriga a pensar em ter relações físicas com qualquer pessoa que se aproxima; uma questão que se reduz a uma busca desesperada e sem tréguas de sexo uma e outra vez&#8230; Assim sucessivamente, acabando o sexo — dependente por não ver nos demais senão simples objectos como consequência de uma conduta primária.</p>
<p align="justify">Mas há ainda outra dependência, sobretudo nos U. S. A., os <em>workaholics</em> ou dependentes do trabalho, geralmente <em>Yuppies</em> sedentos de dinheiro e de êxito profissional, que costumam colher tremendos fracassos afectivos e familiares, qual preço a pagar por chegar ao topo da carreira profissional, pondo de lado todos os valores da sua vida; quer dizer, o <em>homem light</em> apresenta um perfil especialmente claro.</p>
<p align="justify">Outro país com o mesmo problema, porém mais agravado, é o Japão, onde esta dependência do trabalho se chama <em>karoshi</em>; aconcontece especialmente entre os quarenta e cinquenta anos, não por iniciativa própria, mas porque são explorados pelas suas empresas, onde o conceito de rendimento é quase como que uma religião.</p>
<p align="justify">Há uma novidade recente na psiquiatria americana: os sujeitos dependentes do psicoterapeuta são pessoas que sofrem <em>crises de identidade</em>, não se encontram a si mesmas, estão perdidas ou não sabem como são nem o que querem na vida.</p>
<p align="justify">Por último a <em>dependência em não ser gordo</em> ou a luta por manter um perfil adequado, numa sociedade em que a magreza é «mais que fundamental». Daqui deriva o síndroma do <em>fastio/febre de comer</em>, negar-se a comer, tomar laxativos e inclusive provocar o vómito com o fim de manter a figura esbelta&#8230;; de vez em quando, a <em>fome insaciável</em> ou a paixão incontrolada do grande comilão, acompanhada de uma reacção de pranto e vómito de tudo o que se ingeriu.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/janelasobreoamor.wordpress.com/28/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/janelasobreoamor.wordpress.com/28/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/janelasobreoamor.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/janelasobreoamor.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/janelasobreoamor.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/janelasobreoamor.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/janelasobreoamor.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/janelasobreoamor.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/janelasobreoamor.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/janelasobreoamor.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/janelasobreoamor.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/janelasobreoamor.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/janelasobreoamor.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/janelasobreoamor.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/janelasobreoamor.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/janelasobreoamor.wordpress.com/28/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=janelasobreoamor.wordpress.com&amp;blog=1407429&amp;post=28&amp;subd=janelasobreoamor&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Violeta</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Nov 2007 08:46:27 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[amor]]></category>
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		<description><![CDATA[Violeta Aqueles dois nem sequer reparam que Klaus abriu a porta da sala. Então é aqui que está a Nicki, escondida atrás das costas altas e verdes e dos braços compridos e verdes! — O namorado da nossa filha tem uns braços de aranha! — costuma dizer o papá. E também diz: Há três meses [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=janelasobreoamor.wordpress.com&amp;blog=1407429&amp;post=27&amp;subd=janelasobreoamor&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><strong>Violeta</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Aqueles dois nem sequer reparam que Klaus abriu a porta da sala.<br />
Então é aqui que está a Nicki, escondida atrás das costas altas e verdes e dos braços compridos e verdes!<br />
— O namorado da nossa filha tem uns braços de aranha! — costuma dizer o papá. E também diz:<br />
Há três meses que traz vestida a mesmíssima camisola verde! Se calhar só a tira quando cair por ela.<br />
— Deixa a Nicki em paz — a mãe tenta acalmá-lo. — Tu não percebes! A Niki está apaixonada. O Bruno não tem de agradar-te a ti.<br />
— Agradar!?! Deixa-me rir. Até fico cheio de comichão de cada vez que o vejo. Alto como a Torre Eiffel e magro como um esparguete! E é de uma coisa assim que a <em>minha</em> filha gosta? De um Bruuuno!!<br />
“Será que o papá iria gostar mais da Violeta?” — pensa Klaus, à porta da sala. Ele não se atreve a entrar e ir à prateleira buscar o livro sobre aviões, pelo menos enquanto os dois estiverem enrolados um no outro. Verde-aranha com pintas cor-de-laranja. As pintas cor-de-laranja são da t-shirt da Nicki.<br />
Porque é que Klaus tem que pensar agora mesmo na Violeta? E porque é que fica com o coração aos pulos? Aquilo ali, no sofá, à frente dele, não tem nada a ver com ele e com Violeta. Ou será que tem? Klaus ainda não beijou Violeta. Beijou, sim. Uma vez num jogo. Como multa, Klaus tinha de dar três beijos na cara de alguém. Claro que não foi escolher o Pedro ou o Martin e muito menos a gorda da Helga. Foi Violeta quem recebeu os três beijinhos minúsculos. E logo de seguida ficaram os dois vermelhos que nem tomates.<br />
Toda a gente se riu!<br />
— O Klaus está apaixonado pela Violeta! — gritaram.<br />
Deixá-los rir!<br />
Estar apaixonado não tem graça nenhuma. É bonito, mas não é engraçado, pensa Klaus, porque a Violeta se ofende muito depressa. E quando ela olha para ele só de relance, durante as aulas e depois no intervalo também… até dói! De cada vez que ele olha para Violeta e ela desvia o olhar, Klaus sente uma pontada lá no fundo. Mas agora há já algum tempo que andam os dois de bem um com o outro e Klaus tenta não fazer nenhuma asneira que possa zangar Violeta.<br />
Klaus queria ir buscar o livro. Nicki e Bruno ainda não repararam nele. Estão abraçados um ao outro e baloiçam-se levemente de um lado para o outro como se se tentassem adormecer mutuamente.<br />
Têm os olhos fechados. Estão em silêncio.<br />
“Se calhar”, pensa Klaus, “quando se está mesmo apaixonado não se deve falar. O não falar significa precisamente gosto de ti.<br />
Agora Nicki abre os olhos mas só vê o seu Bruno. Não vê o Klaus à porta.<br />
A irmã e o namorado olham-se nos olhos em silêncio. Continuam sem falar.<br />
“Hmm”, pensa Klaus, “eu e a Violeta também fazemos isso. Por acaso, este até é o nosso jogo. Olhamo-nos nos olhos muito tempo e tentamos adivinhar a cor dos olhos do outro porque ela muda ligeiramente todos os dias. Se há sol, se chove, se está claro ou escuro. Se é de manhã, ao meio-dia ou à tarde.&#8221;<br />
Violeta acha que Klaus tem os olhos castanhos. Cor de café com leite. Klaus diz que tem olhos pretos. Como café sem leite.<br />
— E os teus são azuis — diz depois Klaus. — Como a minha caneta.<br />
— Não! Isso não é bonito! — Violeta não quer. Faz uma cara de ofendida e fulmina Klaus com o olhar. — Diz uma coisa mais bonita! Imediatamente!<br />
— Azul como o lago de Constança — Klaus já lá tomou banho.<br />
Violeta fica satisfeita com o lago, mesmo não o conhecendo. O azul de um lago é bonito.<br />
— Mas estes dois estão a demorar! — suspira Klaus, apoiando-se na outra perna.<br />
Então, quando se está apaixonado, é assim… Agarramo-nos bem. Balançamo-nos de um lado para o outro. Fechamos os olhos por muito tempo. E depois abre-se os olhos muito tempo mas não se pode olhar para mais lado nenhum a não ser para a pessoa que está à frente. A mão esquerda de Bruno percorre suavemente a mão direita da Nicki, sobe pelo braço e volta a descer devagar.<br />
Também durante muito tempo.<br />
A Violeta já ia achar aquilo estúpido.<br />
E Klaus, para falar a verdade, também.<br />
Já não aguenta muito mais tempo no traço da porta.<br />
Klaus não gosta de ficar a ver namorados.<br />
Envergonha-se um bocadinho mas não sabe bem porquê. Está um bocadinho agitado mas não sabe muito bem porquê.<br />
Vira as costas aos dois mas choca contra a porta. Bum!<br />
— Olha lá, miúdo, por acaso andas a espionar-nos!?! — A voz arranhada de Bruno.<br />
— Há quanto tempo estás aí? — pergunta Nicki, sentindo-se apanhada.<br />
Klaus encolhe os ombros. Será que deve dizer: “Há uma eternidade”?<br />
— Já posso ir buscar o meu livro?<br />
— Pensei que o teu irmão não estivesse cá hoje! — Bruno levanta-se. — Da próxima vez que pensares que ele não está em casa, no teu lugar, eu ia ver primeiro se ele, por acaso, não estará metido nalguma gaveta. — A voz de Bruno soa bastante desagradável.<br />
Nicki também se levanta e segura o namorado pelo braço mas Bruno solta-se.<br />
— Não me sinto bem aqui! — diz — “Tchau”!<br />
E vai embora. Nem se torna a virar para a Nicki.<br />
Já não a olha mais nos olhos.<br />
Nem muito, nem pouco. Absolutamente nada.<br />
Com a Violeta é muito mais bonito. Eles acenam sempre com a mão um ao outro quando vão para casa, depois da escola, e se separam na paragem do eléctrico. Pelo, menos nos dias em que Violeta não tenta olhar de relance para Klaus.<br />
Depois Violeta sorri. Um sorriso muito amoroso e Klaus consegue ver-lhe os olhos, mesmo que já esteja muito escuro. Brilham, azuis como o lago de Constança. Continuam a brilhar mesmo quando Klaus já está do outro lado da rua e ele até consegue sentir-lhes ainda o brilho muito depois de ter dobrado a esquina.</p>
<p style="text-align:right;">Evelyne Stein-Fischer<br />
<em>13 Geschichten vom Liebhaben</em><br />
München, DTV Junior, 1990<br />
Tradução e adaptação</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/janelasobreoamor.wordpress.com/27/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/janelasobreoamor.wordpress.com/27/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/janelasobreoamor.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/janelasobreoamor.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/janelasobreoamor.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/janelasobreoamor.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/janelasobreoamor.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/janelasobreoamor.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/janelasobreoamor.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/janelasobreoamor.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/janelasobreoamor.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/janelasobreoamor.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/janelasobreoamor.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/janelasobreoamor.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/janelasobreoamor.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/janelasobreoamor.wordpress.com/27/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=janelasobreoamor.wordpress.com&amp;blog=1407429&amp;post=27&amp;subd=janelasobreoamor&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Tenho medo daquele homem</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Oct 2007 06:32:06 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[abuso]]></category>
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		<description><![CDATA[Virginie Dumont J&#8217;ai peur du monsieur Arles, Actes Sud Junior, 1997 Tadução e adaptação     TENHO MEDO DAQUELE HOMEM   Prefácio     Penso que todos sentimos &#8220;grandes medos&#8221; na nossa infância, provocados por adultos cujo comportamento era &#8220;diferente&#8221;. A maioria das vezes, escondíamos esses medos no mais profundo de nós mesmos, sem sequer [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=janelasobreoamor.wordpress.com&amp;blog=1407429&amp;post=26&amp;subd=janelasobreoamor&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin:0;"><span style="font-size:9pt;font-family:Verdana;">Virginie Dumont</span></p>
<p style="margin:0;"><em><span style="font-size:9pt;font-family:Verdana;">J&#8217;ai peur du monsieur</span></em></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:9pt;font-family:Verdana;">Arles, Actes Sud Junior, 1997</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:9pt;font-family:Verdana;">Tadução e adaptação</span></p>
<p style="margin:0;"> </p>
<p style="text-align:center;margin:0;" align="center"> </p>
<p style="text-align:center;margin:0;" align="center"><strong><span style="font-family:Verdana;">TENHO MEDO DAQUELE HOMEM</span></strong></p>
<p style="text-align:center;margin:0;" align="center"> </p>
<p style="text-align:center;margin:0;" align="center"><strong><span style="font-family:Verdana;">Prefácio </span></strong></p>
<p style="text-align:center;margin:0;" align="center"> </p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"> </p>
<p style="text-indent:35.4pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Verdana;">Penso que todos sentimos &#8220;grandes medos&#8221; na nossa infância, provocados por adultos cujo comportamento era &#8220;diferente&#8221;. A maioria das vezes, escondíamos esses medos no mais profundo de nós mesmos, sem sequer ousarmos falar deles, com receio de que troçassem de nós, de que não nos compreendessem, de que nos dissessem: &#8220;Pára de inventar histórias!&#8221; Ainda bem que começámos, finalmente, a falar. </span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"> </p>
<p style="text-indent:35.4pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><em><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Verdana;">Tenho medo daquele homem</span></em><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Verdana;"> é um livro importante para as crianças, porque mostra que podem confiar nos adultos, que estes compreendem os seus medos e as apoiam. O intuito desta obra é, pois, ajudar as crianças a exprimirem os seus medos e as suas angústias, e ensinar os adultos a responder às questões mais delicadas. Este diálogo entre pais e filhos sobre assuntos &#8220;incómodos&#8221; é essencial para a educação e desenvolvimento das nossas crianças. </span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;line-height:200%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"> </span><span style="font-family:Verdana;"> </span><span style="font-family:Verdana;">  </span><span style="font-family:Verdana;"> </span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;line-height:200%;text-align:right;margin:0;" align="right"> </p>
<p style="text-indent:35.4pt;line-height:200%;text-align:right;margin:0;" align="right"><span style="font-size:10pt;line-height:200%;font-family:Verdana;">Nathalie Baye</span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><strong><span style="font-family:Verdana;">Capítulo 1 </span></strong></p>
<p style="text-indent:35.4pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><strong><span style="font-family:Verdana;">Sofia vem sozinha da escola</span></strong></p>
<p style="text-indent:35.4pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p style="text-indent:35.4pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Verdana;">Sofia tem oito anos. É uma menina muito alegre, que gosta de se divertir com as amigas e de trocar mimos com os pais. Como todas as crianças da sua idade, anda na escola. Este ano, começou a vir sozinha para casa, às quatro e meia da tarde. Há já algum tempo que queria fazê-lo, mas só agora é que os pais concordaram. Sofia sente-se orgulhosa de poder fazer o mesmo que os mais velhos! </span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Verdana;">Sobretudo porque não corre riscos, já que fez este trajecto pelo menos umas trezentas vezes: ora com a mãe, ora com o pai, ora com a irmã mais velha. Sabe que ruas deve atravessar e que deve andar longe da berma do passeio. Assim, pode ficar a falar com as amigas à saída das aulas, antes de ir cada uma para sua casa. Também pode ajudar pessoas que estejam perdidas. </span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Verdana;">— Sabes onde há uma farmácia, filha?</span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Verdana;">— Não, só conheço padarias. </span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Verdana;">E pode ajudar idosos a transportar sacos pesados. </span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Verdana;">— Que menina amorosa!</span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Verdana;">Quando chega a casa, fica sempre contente por ter algum tempo para si. Conta o que aconteceu ao pai ou à mãe, quando estes estão em casa, ou fala com a irmã mais velha. Se não estiver ninguém em casa, sabe que deve telefonar à mãe. </span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Verdana;">— Sou eu, já cheguei. O dia correu bem. Vens tarde, mamã? </span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Verdana;">— Não te aflijas, chegamos para jantar. </span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Verdana;">Sofia não se aflige, pelo menos não tanto quanto a mãe, que quer sempre saber se ela chegou bem. Mas a verdade é que Sofia não gosta de estar sozinha em casa. Um dia, telefonou mais tarde, porque tinha ido acompanhar a amiga Maria a casa desta, e toda a família ficou preocupada. A mãe telefonou ao pai, que telefonou aos avós, e o telefone não parava de tocar! </span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Verdana;">— O que aconteceu? Perdeste-te?</span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Verdana;">— Não, fui só acompanhar a Maria. Não é grave. </span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Verdana;">— É, pois. Estávamos preocupados. As ruas não são seguras! </span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Verdana;">Sofia não percebeu o porquê da reacção da família. Se estava com a Maria, não havia razão para se preocuparem. </span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Verdana;">— A Maria mora a uns minutos daqui. Nem sequer tenho de atravessar ruas. Já sou grande! </span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Verdana;">— De acordo, mas tens de nos avisar. </span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;line-height:150%;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Verdana;">Desde esse episódio que Sofia nunca mais se esquece de telefonar logo que chega a casa, para não afligir a família. </span></p>
<p>Segue: <a href="http://janelasobreoamor.wordpress.com/2007/10/02/tenho-medo-daquele-homem-2/">Parece que anda por aí um homem estranho</a></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/janelasobreoamor.wordpress.com/26/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/janelasobreoamor.wordpress.com/26/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/janelasobreoamor.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/janelasobreoamor.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/janelasobreoamor.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/janelasobreoamor.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/janelasobreoamor.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/janelasobreoamor.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/janelasobreoamor.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/janelasobreoamor.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/janelasobreoamor.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/janelasobreoamor.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/janelasobreoamor.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/janelasobreoamor.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/janelasobreoamor.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/janelasobreoamor.wordpress.com/26/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=janelasobreoamor.wordpress.com&amp;blog=1407429&amp;post=26&amp;subd=janelasobreoamor&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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