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Archive for the ‘comportamentos’ Category

Pensa nisto:
O teu corpo é só teu. É algo de muito especial.

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MEDITAÇÃO LABIRÍNTICA

A meio da minha vida, escrevi este pequeno texto esperando vir a partilhá-lo com um dos meus filhos. Mais tarde, pareceu-me demasiado sério, demasiado grave, para ser objeto de uma partilha. E assim ficou perdido no meio de papéis.

*

Desde logo, no início do labirinto, não confundir amor com apego. Se sigo a via do amor, posso começar finalmente a compreender que, no amor, sou levado em direção ao outro. Este caminho levar-me-á a recuar bem longe na minha vida e na minha história para encontrar as fontes do amor.

A fonte do amor, aquilo que lhe confere a sua energia, está no amor por si próprio. É o amor por si próprio que permite, que autoriza – no sentido de tornar autor – o dom de amar. Mas dá-lo em amor, esta forma de se dar, só é, obviamente, possível, se o meu próprio desejo de amar não for terrorista a ponto de eu querer impor o meu amor ao outro. (mais…)

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A menina por detrás da janela

 Era uma vez, num país cinzento e frio, um Rei que adorava uma menina.

A menina era tão bonita que o Rei se apaixonara por ela. Como a queria sempre junto de si, lançou-lhe um feitiço e transformou-a em boneca. Oferecia-lhe colares e travessões em veludo para os cabelos e, todas as noites, passava longas horas com ela. Deitava-a a seu lado e acariciava-a com tanta paixão que a boneca quase asfixiava.

Quando o dia despontava, o Rei partia e a boneca ficava sozinha. A porta do quarto não estava fechada. A boneca podia sair e fugir mas, como achava que o Rei ficaria desgostoso, não ousava fazê-lo. As suas pernas de algodão não a deixavam andar e, como não tinha boca, tinha medo de perder-se e de não conseguir perguntar o caminho.

Então, quando o Rei se ia embora, ela ficava sentada à janela, com a cara apoiada contra o vidro frio, a olhar para a rua com tristeza. Foi assim que os seus lábios acabaram por desaparecer. Primeiro tornaram-se transparentes, como (mais…)

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Correr e contar

Aos sábados, quando acabo a aula de dança, apanho o autocarro para ir para casa. Depois de me sentar, passo o tempo a olhar pela janela. Entretenho-me a ver as pessoas e os carros que passam.
Um dia, estava tão distraída que nem dei por um senhor, igual a tantos outros, que se sentou a meu lado. Faltavam duas ou três paragens para a minha casa quando, de repente, esse senhor igual a tantos outros, começou a tocar-me nas pernas disfarçadamente. Fiquei assustadíssima.
Levantei-me logo que pude e pedi-lhe que me deixasse passar; ao sair do lugar, ainda senti as suas manápulas. Sentia uma enorme raiva, mas corri até à porta e carreguei várias vezes na campainha.
Felizmente que o autocarro parou logo.
Saltei para o passeio e iniciei uma correria louca, em direcção a casa.
Sentia que aquele senhor me perseguia.
Quando cheguei a casa, a minha mãe (mais…)

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Dizer NÃO! por vezes é muito difícil!

 

Devemos dizer NÃO! quando alguma coisa não nos faz sentir bem. Parece muito fácil!

À Laura, a prima da Serafina, aconteceu uma coisa que lhe fez deixar de perceber o Sim e o Não.

Certa vez, o tio Pedro tinha ido visitá-los. É o irmão da mãe de Laura.

Laura estava contente. O tio mostrou-lhe como navegar na Internet. Mostrou-lhe onde encontrar os melhores jogos e como descarregar da net as músicas preferidas dela. Estavam sentados ao computador muito perto um do outro. Laura estava com uma sensação agradável na barriga. O tio Pedro pôs um braço em volta de Laura e começou a fazer-lhe festas.

Deslizou uma mão por debaixo da camisola. A sensação agradável, de repente, deixou de ser agradável. Laura começou a sentir-se incomodada. Só lhe apetecia dizer: “Para imediatamente de fazer isso!” Mas pareceu-lhe estranho dizer uma coisa daquelas porque o tio Pedro é mesmo muito simpático.

Laura ficou hirta. Só desejava que o tio se apercebesse que devia parar. Mas ele continuou. Acariciou as pernas de Laura e meteu as mãos no fecho das calças. Laura sentiu muito bem que não queria que o tio lhe fizesse aquilo.

Mas, de certa maneira, tinha deixado passar a oportunidade de dizer NÃO! A voz do tio ficou muito rouca e olhou para ela de uma forma esquisita. Muito diferente do costume.

Depois deu-lhe um beijo na orelha e disse-lhe que não podia contar a ninguém como ele gostava dela. E que de certeza que a mãe se ia sentir muito infeliz ao ouvir aquilo e ia deixar de gostar de Laura.

— É o nosso grande segredo! — dissera.

A partir daí, Laura tentou não voltar a encontrar-se com o tio.

— Mas o que se passa com a minha princesinha? — perguntou. — Já não gostas do teu tio?

Ele tentava sempre ficar sozinho com Laura para a acariciar.

Laura tinha a sensação de que guardar aquele segredo era como carregar com uma nuvem escura e pesada.

A certa altura, não aguentou mais e contou a história toda a Serafina. Por sorte, Serafina sabia que há segredos que não devem ser guardados. Foram então as duas ter com a mãe de Laura e contaram-lhe tudo. A mãe de Laura ficou muito zangada com o irmão, mas continuou a gostar tanto de Laura como dantes. Foi com ela a um local de aconselhamento, onde falaram com uma senhora que ajudou Laura a perceber que, naquela história com o tio, ela não tinha culpa de nada. Mesmo que não tenha conseguido dizer “Não!” e “Para imediatamente!”, como na verdade queria.

IMPORTANTE!

Tens sempre o direito de dizer NÃO! Mas, se não conseguiste, não te sintas culpada.

Ninguém é obrigado a guardar um mau segredo. Quem te pede para guardar um segredo desses, não tem boas intenções.

Os maus segredos são difíceis de guardar para qualquer pessoa. Especialmente para uma criança. Conta o que te preocupa a alguém em quem confies. Se não tens coragem para contar a alguém próximo de ti, podes telefonar para uma linha de apoio.

Segue:

Direitos iguais para rapazes e raparigas

Dagmar Geisler
Das bin ich von Kopf bis Fuß
Bindlach, Loewe Verlag, 2005
(excertos traduzidos e adaptados)

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Foi um erro o meu primeiro beijo

Vais fazer algumas asneiras,
mas vais fazê-las com entusiasmo.

Colette

Quem me dera poder devolver o meu primeiro beijo. Quem me dera que não tivesse sido dado por despeito ou vingança. Quem me dera não ter sido estúpida e não ter bebido naquela noite. Dos muitos desejos que tenho, o mais importante seria ter feito tudo de maneira diferente para não me sentir presa a estas memórias.

A festa dos 16 anos, sobretudo quando são os nossos, deveria ser sempre algo para mais tarde recordar com carinho e orgulho. Um momento inesquecível!

A noite teve um início perfeito. A minha melhor amiga e eu partilhávamos a festa e ela chegou a minha casa para acabar de se arranjar. Ajeitámos os vestidos e pusemos maquilhagem enquanto ouvíamos a música ruidosa de Justin Timberlake e de 50 Cent. Uma hora antes da nossa festa, Katie tirou uma garrafa de vodka.

— Fazemos dezasseis anos — disse, tirando a rolha. — Diverte-te e bebe.

Embora fosse diluído em sumo, o álcool queimava-me a garganta e o estômago, e imediatamente me causou um zumbido na cabeça. Sentia-me como se fosse outra pessoa, mas a sensação não era má de todo. Era uma flor de estufa, a rapariga tímida do fundo da sala que sabia as respostas mas não ousava levantar a mão e responder. Por isso, sentir-me outra pessoa até era bom, sobretudo na noite do meu aniversário.

Esse foi o meu primeiro erro: não ser eu mesma.

O segundo (mais…)

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