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Archive for the ‘protecção’ Category

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Correr e contar

Aos sábados, quando acabo a aula de dança, apanho o autocarro para ir para casa. Depois de me sentar, passo o tempo a olhar pela janela. Entretenho-me a ver as pessoas e os carros que passam.
Um dia, estava tão distraída que nem dei por um senhor, igual a tantos outros, que se sentou a meu lado. Faltavam duas ou três paragens para a minha casa quando, de repente, esse senhor igual a tantos outros, começou a tocar-me nas pernas disfarçadamente. Fiquei assustadíssima.
Levantei-me logo que pude e pedi-lhe que me deixasse passar; ao sair do lugar, ainda senti as suas manápulas. Sentia uma enorme raiva, mas corri até à porta e carreguei várias vezes na campainha.
Felizmente que o autocarro parou logo.
Saltei para o passeio e iniciei uma correria louca, em direcção a casa.
Sentia que aquele senhor me perseguia.
Quando cheguei a casa, a minha mãe (mais…)

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Carta Aberta a um Jovem

Caro Jovem

 

Não há nada de antiquado no facto de procurares comportar-te com dignidade nas tuas relações com o sexo oposto. O teu corpo não é um objeto, nem um qualquer mecanismo que não possas controlar.

Numa relação, o afeto é muito mais importante do que o sexo. A falta de carinho leva a que as pessoas acabem por se tornar agressivas uma com a outra. Nunca te precipites. Os contactos sexuais não te farão mais próximo de quem julgas gostar.

É uma grande ilusão confundir-se atração física com amor. Deixa as experiências sexuais para quando tiveres uma relação verdadeiramente madura, ou podes ter a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, tudo se desmoronará. Não coloques o prazer à frente do carinho e do respeito. Deixa que o tempo exerça a sua ação. Já experimentaste comer um fruto ainda verde?

Fala-se muito de amor, quando, na maior parte dos casos, tudo não passa de aparência. Não antecipes experiências que só devem ser vividas quando houver respeito e ternura bastantes para tornarem sólida uma relação. De outra forma, apenas encontrarás o vazio.

A precipitação pode ter consequências sérias: uma gravidez não planeada, por exemplo. Interrompe-se a gravidez, dirás tu. E achas correto matar uma vida, sobretudo quando foi a tua irresponsabilidade que a criou?

Não te esqueças também das doenças transmissíveis por via sexual, e do enorme sofrimento que poderão causar. Relações sexualmente protegidas serão a solução, pensarás. Pois convence-te de que a solução consiste em te tornares interiormente adulto e responsável, e aprenderes a agir com retidão e dignidade.

O ser humano não é um animal irracional que atua impelido pelo cio. É um ser pensante e criativo, com capacidade de escolha e de decisão, e que tem o dever de refletir sobre os seus atos.

Os muitos filmes e novelas incessantemente despejados na cabeça das pessoas distorcem o sentido da conduta humana, induzindo à vulgaridade e à imitação de comportamentos grosseiros, quando não claramente antiéticos.

Deves desenvolver o teu espírito crítico, para não te limitares a ser mais uma ovelha de um imenso rebanho obtuso e amorfo, que se deixa conduzir por qualquer um.

Não esqueças que a vida é uma oportunidade demasiado preciosa para a desperdiçares com caprichos e fantasias. Procura a justiça e tenta contribuir para uma sociedade melhor.

 

Com o desejo sincero de que sejas feliz.

 Anónimo

 

 

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O FALSO TIO

 

A Professora Carolina está a escrever números no quadro.
— Prestem muita atenção! — pede. — Estes exercícios são difíceis.
Leo irrita-se mas não é por causa dos exercícios. Acha-os super-fáceis mas, mesmo assim, não consegue estar atento, e a culpa é de Paulina, que está a mascar uma pastilha-elástica. A meio da aula! E faz tanto barulho, que mais parece um hipopótamo. A Professora Carolina nem sequer ralha. Faz contas e mais contas, e não repara em nada.
— Não podes mascar pastilha-elástica nas aulas — sibila Leo.
Paulina sorri, rebusca no bolso das calças, tira uma caixa e estende-lha.
— Queres uma? — pergunta.
Ainda por cima!
— É proibido mascar nas aulas — insiste Leo com veemência.
— Leo! Nada de conversas! — adverte a Professora Carolina.
Leo assusta-se. Não gosta quando a professora fala com ele daquela maneira.
— Mas a Paulina…
Morde depressa os lábios. Não se deve fazer queixa das pessoas, costuma dizer o pai.
Ufa, não é nada fácil fazer sempre o que é correcto!

*

Felizmente, toca para o intervalo.
— Vamos jogar? — pergunta Paulina.
Nem pensar!
De certeza que a mãe não gosta que ele brinque com uma menina destas. Já chega ter de estar sentado ao lado dela.
Às vezes, Paulina chega atrasada, está sempre a esquecer-se das coisas e depois pega nas de Leo. Assim, sem pedir. Ocupa a carteira toda, dá-lhe cotoveladas e empurra-o. Além disso, tem uma voz tão estridente! Se alguma coisa não está bem, começa aos guinchos como uma sirene. Leo até fica com dores de ouvidos.
Uma vez por outra, conta em casa as confusões que Paulina arranja. A mãe abana a cabeça e pergunta:
— Porque é que foste sentar-te ao lado dela?
Mas não foi Leo. Paulina é que simplesmente se sentou ao lado dele e disse à Professora Carolina:
— O Leo é meu amigo.
É mentira.
Leo não é amigo de ninguém, e muito menos daquela Paulina.
— Então? — insiste Paulina. — Jogamos ou não jogamos?
Leonardo abana a cabeça. Paulina encolhe os ombros e afasta-se.

*

As aulas finalmente acabaram. Leo apressa-se a vestir o casaco e sai a correr.
— Espera por mim! — grita Paulina.
Nem pensar!
Paulina mora na mesma rua de Leo. Por vezes ia com ela para casa, mas a mãe ficava muito zangada porque ele chegava sempre atrasado. E a culpa era de Paulina que é uma atrasadinha. Equilibra-se em todos os muros de jardim e dá pontapés a todas as latas velhas. Carrega no botão de todos os semáforos, embora não queira atravessar, só para obrigar os carros a parar.
Às vezes, pára no quiosque dos jornais. O vendedor tem um cachorrinho com o qual ela gosta de brincar. Quando vai embora, leva sempre qualquer coisa: um rebuçado ou um chupa-chupa. E não se deve pedinchar. A mãe de Leo não gosta nada disso.
Leo olha novamente à sua volta. Paulina está de joelhos no passeio. Encontrou uma pedra e começou a desenhar. Ela gosta de fazer desenhos no chão e muitas vezes escreve coisas estúpidas: O Marcu é palérma.
Palerma é ela, que não sabe escrever direito! Mas o que é que ele pode fazer? Hoje, pelo menos, Leo livrou-se dela. Ainda bem! (mais…)

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