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Archive for the ‘responsabilidade’ Category

MEDITAÇÃO LABIRÍNTICA

A meio da minha vida, escrevi este pequeno texto esperando vir a partilhá-lo com um dos meus filhos. Mais tarde, pareceu-me demasiado sério, demasiado grave, para ser objeto de uma partilha. E assim ficou perdido no meio de papéis.

*

Desde logo, no início do labirinto, não confundir amor com apego. Se sigo a via do amor, posso começar finalmente a compreender que, no amor, sou levado em direção ao outro. Este caminho levar-me-á a recuar bem longe na minha vida e na minha história para encontrar as fontes do amor.

A fonte do amor, aquilo que lhe confere a sua energia, está no amor por si próprio. É o amor por si próprio que permite, que autoriza – no sentido de tornar autor – o dom de amar. Mas dá-lo em amor, esta forma de se dar, só é, obviamente, possível, se o meu próprio desejo de amar não for terrorista a ponto de eu querer impor o meu amor ao outro. (mais…)

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Foi um erro o meu primeiro beijo

Vais fazer algumas asneiras,
mas vais fazê-las com entusiasmo.

Colette

Quem me dera poder devolver o meu primeiro beijo. Quem me dera que não tivesse sido dado por despeito ou vingança. Quem me dera não ter sido estúpida e não ter bebido naquela noite. Dos muitos desejos que tenho, o mais importante seria ter feito tudo de maneira diferente para não me sentir presa a estas memórias.

A festa dos 16 anos, sobretudo quando são os nossos, deveria ser sempre algo para mais tarde recordar com carinho e orgulho. Um momento inesquecível!

A noite teve um início perfeito. A minha melhor amiga e eu partilhávamos a festa e ela chegou a minha casa para acabar de se arranjar. Ajeitámos os vestidos e pusemos maquilhagem enquanto ouvíamos a música ruidosa de Justin Timberlake e de 50 Cent. Uma hora antes da nossa festa, Katie tirou uma garrafa de vodka.

— Fazemos dezasseis anos — disse, tirando a rolha. — Diverte-te e bebe.

Embora fosse diluído em sumo, o álcool queimava-me a garganta e o estômago, e imediatamente me causou um zumbido na cabeça. Sentia-me como se fosse outra pessoa, mas a sensação não era má de todo. Era uma flor de estufa, a rapariga tímida do fundo da sala que sabia as respostas mas não ousava levantar a mão e responder. Por isso, sentir-me outra pessoa até era bom, sobretudo na noite do meu aniversário.

Esse foi o meu primeiro erro: não ser eu mesma.

O segundo (mais…)

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Carta Aberta a um Jovem

Caro Jovem

 

Não há nada de antiquado no facto de procurares comportar-te com dignidade nas tuas relações com o sexo oposto. O teu corpo não é um objeto, nem um qualquer mecanismo que não possas controlar.

Numa relação, o afeto é muito mais importante do que o sexo. A falta de carinho leva a que as pessoas acabem por se tornar agressivas uma com a outra. Nunca te precipites. Os contactos sexuais não te farão mais próximo de quem julgas gostar.

É uma grande ilusão confundir-se atração física com amor. Deixa as experiências sexuais para quando tiveres uma relação verdadeiramente madura, ou podes ter a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, tudo se desmoronará. Não coloques o prazer à frente do carinho e do respeito. Deixa que o tempo exerça a sua ação. Já experimentaste comer um fruto ainda verde?

Fala-se muito de amor, quando, na maior parte dos casos, tudo não passa de aparência. Não antecipes experiências que só devem ser vividas quando houver respeito e ternura bastantes para tornarem sólida uma relação. De outra forma, apenas encontrarás o vazio.

A precipitação pode ter consequências sérias: uma gravidez não planeada, por exemplo. Interrompe-se a gravidez, dirás tu. E achas correto matar uma vida, sobretudo quando foi a tua irresponsabilidade que a criou?

Não te esqueças também das doenças transmissíveis por via sexual, e do enorme sofrimento que poderão causar. Relações sexualmente protegidas serão a solução, pensarás. Pois convence-te de que a solução consiste em te tornares interiormente adulto e responsável, e aprenderes a agir com retidão e dignidade.

O ser humano não é um animal irracional que atua impelido pelo cio. É um ser pensante e criativo, com capacidade de escolha e de decisão, e que tem o dever de refletir sobre os seus atos.

Os muitos filmes e novelas incessantemente despejados na cabeça das pessoas distorcem o sentido da conduta humana, induzindo à vulgaridade e à imitação de comportamentos grosseiros, quando não claramente antiéticos.

Deves desenvolver o teu espírito crítico, para não te limitares a ser mais uma ovelha de um imenso rebanho obtuso e amorfo, que se deixa conduzir por qualquer um.

Não esqueças que a vida é uma oportunidade demasiado preciosa para a desperdiçares com caprichos e fantasias. Procura a justiça e tenta contribuir para uma sociedade melhor.

 

Com o desejo sincero de que sejas feliz.

 Anónimo

 

 

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Enrique Rojas
O Homem light
Coimbra, Gráfica de Coimbra, 1994
(excerto adaptado)

 SEXUALIDADE LIGHT

Definição do amor humano

Fala-se hoje em dia muito de amores e, mais concretamente, de uniões sentimentais, mas muito pouco de amor, o que suscita uma grande confusão. A qualquer relação superficial e passageira damos-lhe o nome de «amor». Uma das formas mais representativas do amor é a que se pratica entre o homem e a mulher. A análise desse encontro, seus labirintos, as brechas por onde se deixa entrever, oferecem-nos uma série sucessiva de paisagens psicológicas muito interessantes, que ilustram o que é e em que consiste realmente o amor, já que falamos dele sem grande propriedade.

Há que voltar a descobrir o seu verdadeiro sentido, ainda que seja uma questão impopular e difícil de conseguir. Há que recuperar o termo no seu sentido teórico e prático, voltar a incluí-lo na nossa vida.

Em resumo: restituir-lhe a sua profundidade e o seu mistério. Esta é a tarefa deste capítulo e a primeira questão consiste em identificar e distinguir amor e sexo. Geralmente, em muitas relações sexuais há de tudo, menos amor autêntico, por mais que lhe apliquemos esse qualificativo; na realidade é paixão, pelo que desde logo não é amor. É claro que num mundo em crise de valores como é o nosso tudo vale, tudo é tolerável, admitimos qualquer coisa, concretamente no que se refere ao pensamento e às ideias.

O amor humano é um sentimento de aprovação e afirmação do outro, pelo (mais…)

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Enrique Rojas
O Homem light
Coimbra, Gráfica de Coimbra, 1994
(excerto adaptado)

 SEXUALIDADE LIGHT

As três caras do acto sexual

 

A relação sexual deve ser definida a partir do amor. Por outro lado, a sexualidade é uma linguagem pela qual transmitimos a afectividade, já que a pessoa, porque é sexuada, necessita de um intercâmbio físico, e isto implica exceder o mero contacto sexual, ir para além de si, mesmo, buscar a promoção do outro em todos os âmbitos da vida. É encontrar o casal como projecto, como programa comum, arriscando-nos nesta aventura em que é necessário tomar uma determinação extrema se se quer que não fracasse.

Leibnitz dizia no seu livro Noveaux essais: «Amor quer dizer sentir-se inclinado a alegrar-se na perfeição e no bem do outro, na sua felicidade». Não há amor sem alegria, porém na relação sexual light o que existe é um bem-estar sem alegria autêntica. É um estalido de prazer fugaz, que não ajuda à maturação da personalidade; um consumo de sexo nas suas diferentes versões. A pornografia, as revistas, os vídeos, os telefones eróticos, etc, converteram-se num grande negócio, em que se exploram as paixões mais ligadas aos instintos, em que se potência o mais primário do homem, porém desligado do seu fim amoroso. Por isso, a sexualidade light não faz mais com que alguém seja dono de si mesmo, nem melhora a personalidade, nem torna o homem mais compreensivo e humano. Introdu-lo num carrocel de sensações orgásmicas e de um consumo de sexo que cada vez pede mais e que conduz a uma neurose obsessiva de o conseguir e, em consequência, a uma desumanização.

O acto sexual com amor de verdade consta de três ingredientes essenciais: a) físico; b) psicológico; e c) espiritual. O outro é aceite como pessoa e o facto de ficarem despidos um frente ao outro produz uma entrega singular na qual ambos dão e recebem amor. São duas intimidades que se fundem e buscam ajuda, e compartilham a vida com tudo o que esta comporta. Essa conjunção é reciprocidade. (mais…)

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